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Autor: Clarissa Josgrilberg
21 de Fev de 2011
Ao todo 12 indígenas que deveriam embarcar às 4 horas da manhã de hoje para participar do julgamento do assassinato do cacique guarani-kaiowá Marcos Veron, que acontece hoje, às 11 horas em São Paulo, não conseguiram embarcar. Eles alegam terem sido discriminados, já a empresa, alega atraso dos clientes.
Entre os indígenas há um tradutor e antropólogo, oito vítimas e três testemunhas. "Chegamos antes, tinham duas mulheres na nossa frente na fila, que embarcaram e para nós [o atendetente] disse que chegamos atrasados e o avião estava lá parado, as pessoas embarcando e ele sumiu e não sentou no guichê até nos sairmos", disse Tonico Benites, interprete e antropólogo.
O indígena, Araldo Verão, disse que eles foram ofendidos e que o passo, agora, era fazer um relatório de tudo o que aconteceu para enviar ao Ministério Público. Entre os indígenas presentes estavam os três filhos do cacique assassinado, a nora e a esposa dele.
Por outro lado, o representante da empresa aérea de Dourados, Ademar Ferreira, disse que os indígenas chegaram atrasados e que não houve nenhum tipo de ofensa a eles. "Além dos índios ficaram outras pessoas que também chegaram atrasadas. Eles teriam que chegar às 4 horas, o balcão só atende até 4h30 e eles chegaram 4h45, teria que fechar o voo, fazer o peso de bagagem, refazer todos os mapas de novo, o que implica em 30, 40 minutos de atraso", esclareceu.
Segundo, a assessoria do Ministério Público Federal, os indígenas embarcam hoje, às 18 horas e devem chegar à capital paulista ás 21 horas. A assessoria informou, ainda, que eles devem ser ouvidos durante a semana e que a ausência deles não afeta a programação de hoje do julgamento.
O crime
O julgamento é referente ao assassinato do cacique Veron, que aconteceu em janeiro de 2003, em Juti. A denúncia é de que quatro homens armados teriam sido contratados por um fazendeiro para agredir os indígenas e expulsá-los das terras da fazenda Brasília do Sul. Veron, na época, tinha 72 anos e morreu no hospital com traumatismo craniano após ser atingido por um tiro.
Respondem pelo crime Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos, Jorge Cristaldo Insabralde e Nivaldo Alves de Oliveira. O julgamento foi transferido para São Paulo devido ao poder econômico e a influência dos fazendeiros.
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