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Autor: Valéria Araújo
03 de Jul de 2013
Eles fazem Aty Guassu em várias cidades de Mato Grosso do Sul de hoje até o dia 20. Comunidade cobra Justiça
Indígenas das etnias Guarani kaiuás iniciam onda de manifestações hoje em Mato Grosso do Sul. O objetivo é cobrar Justiça em relação aos assassinatos ocorridos em Mato Grosso do Sul, que segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) é o Estado onde mais se mata índios em todo o País. A comunidade também reivindica celeridade nos processos de demarcação de terras, a punidade de fazendeiros acusados de matar índios, e o esclarecimento de crimes contra indígenas no Estado.
Hoje a comunidade recomeça manifestação pacífica pela demarcação de terras tradicionais, e julgamento dos fazendeiros acusados de assassinatos, assim como a prisão de envolvidos nos crimes.
Nos dias 05 e 06, acontecem manifestações no município de Rio Brilhante abrangendo a região. Neste movimento, os indígenas vão relembrar e prestar homenagem à luta do líder da Aty Guasu José Barbosa Almeida (Zezinho) que morreu atropelado em julho de 2012.
Em Dourados os protestos acontecem entre 20 e 28 deste mês. Na ocasião a comunidade vai cobrar Justiça e celeridade nos processos de demarcação. Em carta aberta para a sociedade, a comunidade indígena destaca nomes de lideranças assassinadas supostamente por fazendeiros no Conesul do Estado.
Eles também informam o sofrimento da comunidade frente ao suposto descaso do poder público para os povos indígenas. "Nós lideranças Guarani-Kaiowá, mais de duas décadas constatamos, ouvimos e sentimos a humilhação, o constrangimento e a dor permanente das violências praticadas pelos fazendeiros contra nossas comunidades e lideranças da Aty Guasu Guarani-Kaiowá.
De fato, milhares Guarani-Kaiowá desesperados choram a dor permanente da memória da expulsão de seus territórios tekoha, dos assassinatos e da crueldade praticada pelos fazendeiros do Cone Sul de Mato Grosso do Sul. Casos de: prisões ilegais das lideranças por lutar pela demarcação de terra; demora na demarcação de terras indígenas, práticas de racismo, discriminação e preconceito via pôster público; ameaça de atropelamentos; tentativas de assassinatos; mortes nos acampamentos à beira das rodovias por atropelamento; ameaças verbais; impedimentos de ir e vir com cercas ilegais; tiros com armas de grosso calibre aterrorizando nossas crianças e mulheres; familiares desaparecidos em ataques; envenenamentos dos córregos, rios e de pessoas e assassinatos contínua de nossas lideranças cujos assassinos andam livre e continuam praticando violências contra indígenas a luz do dia e seguem impunes pela justiça brasileira(...)".
Em outro trecho da carta os indígenas alertam para os assassinatos que estão gerando verdadeiro massacre na comunidade.
"(...) Importa destacar que esse genocídio e o etnocídio silencioso dos indígenas de Mato Grosso do Sul em curso permitido pelo governo e justiça do Brasil que há décadas massacra nossas vidas e irriga ou banha nossas terras tradicionais com o nosso sangue indígena(...)".
A carta também destaca líderes assassinados e que não tiveram os casos esclarecidos como Marçal de Souza. O crime prescreveu e os assassinos estariam soltos. Marçal Tupã'i teria sido assassinado por pistoleiros em Antonio João.
"Nesta área a terra indígena já foi homologada pelo presidente da República do Brasil em 2005, mas os indígenas não usufruem e reocupam o tekoha, enquanto os fazendeiros continuam explorando a terra indígena homologada", destaca trecho da carta.
O grupo também destaca o assassinato de indígena Dorvalino Rocha em Antonio João, há 8 anos. Sedundo a comunidade os assassinos não foram julgados. Os autores seriam equipes de segurança particular contratada por fazendeiros, no dia 26 de dezembro de 2005.
Há 13 anos a comunidade também busca esclarecer assassinato de Samuel Martins, em que os assassinos não foram julgados. Ele foi morto durante a retomada de tekoha Ka'a Jari, no município de Amambai.
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