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Índios e Sertanista sentem a morte de Orlando Villas-Bôas

Site da Funai
12 de Dez de 2002

Morreu hoje, no Hospital Albert Einstein em São Paulo, o sertanista criador do Parque Indígena do Xingu, Orlando Villas-Bôas. A morte se deu às 14h27min, em conseqüência da falência múltiplas dos órgãos causada por uma infecção intestinal aguda.

Para o administrador da Funai em Colíder (MT), Megaron Txucarramãe, índio Mentuktire que participou de vários contatos auxiliando os irmãos Villas-Bôas, Orlando "foi muito batalhador, ajudou a criar o Parque Indígena do Xingu. Viveu defendendo os direitos dos índios, suas terras, seus costumes, suas línguas. Foi um dos últimos sertanistas que dedicou a vida aos índios. É difícil ter pessoas que lutem assim pelos índios. Os irmãos Villas-Bôas arriscavam a vida para fazer contato com índios isolados. Eu ia, junto com outros índios, ajudando a fazer contato. Fico muito triste, pois eu me criei com ele desde os 14 anos. Trabalhei durante 12 anos com ele, aprendi a falar o português com ele. Orlando me trouxe à Brasília a primeira vez, me levou à São Paulo. Nós do Xingu aprendemos a falar português com ele. Orlando lutou para o governo criar o Parque do Xingu, fez com que nós conhecêssemos outros índios".

Sidney Possuelo, sertanista seguidor dos princípios e da filosofia dos irmãos Villas-Bôas, chefe do Departamento de Índios Isolados da Funai, disse a respeito da morte de Orlando Villas-Bôas: "O Brasil perde com ele o último sertanista vivo, o seu mais expressivo sertanista cujo trabalho e obra mais se aproxima de nomes como Cândido Rondon. O Brasil ficou mais pobre. A morte de Orlando encerra um ciclo dos grandes sertanistas, dos descobridores, dos que criaram no sertão mais distante e inóspito pousos que mais tarde se transformaram em várias cidades no Centro-Oeste brasileiro".

Megaron estará amanhã, às 9h30min, no enterro de Orlando Villas-Bôas, junto as lideranças Raoni Mentutira e o Cacique Bepkum Kayapó, e o presidente da Funai, Artur Nobre Mendes.

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