A Gazeta - Rio Branco - AC
26 de Abr de 2001
Três índios do Acre foram aprovados no primeiro vestibular do país para o curso de licenciatura em magistério específico indígena realizado na Universidade de Mato Grosso. Foram eles: Josimar da Silva Samuel Kaxinawá, Jaime Sebastião Manchineri e Joaquim Paulo de Lima Kaxinawá. Todos que estudaram através da Comissão Pró-Índio e são hoje professores de suas aldeias. A Comissão Pró-Índio (CPI) do Acre, que vêm sendo considerada pioneira na educação escolar indígena, viabilizou para o dia 25 de fevereiro a viagem de oito índios para prestarem o primeiro vestibular em Educação para Povos Indígenas e reuniu índios de diferente etnias de todo o país. A prova realizada em Barra dos Bugres (MT) no dia 5 de março marcou o exame de vestibular da primeira universidade do país que implementou o programa de Licenciatura em Educação para Povos Indígenas. A Comissão Pró-Índio do Acre iniciou em 1983 um programa de formação inicial e continuada a cerca de 130 índios que estão se tornando multiplicadores de ensino nas aldeias. Esse programa vem sendo considerado pioneiro no país em escala de oferta universalizada como política pública estadual de um trabalho alternativo desenvolvido pela sociedade civil organizada há mais de 18 anos e vem sendo considerado referencial para a política nacional do Ministério da Educação. No entanto, ainda não haviam iniciativas brasileiras relacionadas ao ensino superior para estes povos. Neste sentido a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) implementou o Programa de Licenciatura Plena dos Professores Indígenas do Estado do Mato Grosso, concedendo 10% de suas vagas a candidatos dos 22 estados brasileiros com populações indígenas, o que representa 20 vagas para 150 inscritos. Outras 180 vagas foram oferecidas aos índios do Mato Grosso. A concorrência foi grande, com nove candidatos disputando uma vaga e até o final do ano que vem serão mais 150 professores formados pela CPI no Magistério. Segundo o assessor da CPI, Gleyson Teixeira, o fato dos outros cinco concorrentes não terem passado neste vestibular não é motivo para desânimo, principalmente porque foi apenas o primeiro e a concorrência foi grande. Estamos muito satisfeitos com o resultado, apesar de não termos ainda nada planejado sobre quem vai bancar suas viagens, já que é um curso modular em que há a necessidade de suas presenças em Mato Grosso duas vezes ao ano por quatro anos. Mas todos esses professores indígenas que estão estudando devem se animar, afinal o grupo de trabalho que vai implantar o curso aqui na Ufac também já está em ação e outros Estados como Minas Gerais também já estão pensando em implantar o curso. As aulas começarão ainda este ano, mais especificamente em agosto.
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