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Índios discutem presença militar

A Crítica-Manaus-AM
Autor: [ Ana Celia Ossame ]
17 de Abr de 2002

Lideranças e dirigentes de organizações vinculadas à questão indígena defenderam ontem a necessidade de se estabelecer regras para normatizar a entrada das Forças Armadas em área indígena. O assunto foi discutido no segundo dia da Semana dos Povos Indígenas, que está sendo realizada no Centro de Treinamento Padre Anchieta (Cepan), no painel "A luta pela garantia dos direitos indígenas".

A questão posta é a de que sob a justificativa de "relevantes interesses nacionais" as Forças Armadas podem se estabelecer em áreas indígenas, como aconteceu no Projeto Calha Norte e outros. Para o índio José Bonifácio Baniwa, diretor da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a questão é polêmica. "Embora a presença do Exército em algumas áreas possa significar uma assistência melhor para uma aldeia, os índios nunca são consultados sobre a implantação de projetos", afirma ele.

A presença dos militares nas aldeias traz danos à questão cultural, explica ele, porque a convivência acaba sendo conflituosa. "Eles acabam interferindo na vida da aldeia", reflete o diretor da Coiab, apontando condutas equivocadas de projetos desenvolvidos em área indígena não só pelo governo, mas também por empresas. Além disso, os índios não conseguem benefícios com esses projetos. A exceção fica para os uaimiris-atroaris que recebem royalties da empresa mineradora Paranapanema, que explora minérios na reserva, depois de uma luta da comunidade.

O capitão Charlys Ribeiro, do Comando Militar da Amazônia (CMA), falou sobre a presença militar nas áreas indígenas com as guarnições militares nos municípios de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus) e São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros). As guarnições militares, segundo ele, dão apoio tanto às populações indígenas quanto à branca. Charlys, no entanto, não pode falar sobre a reivindicação das lideranças indígenas. O chefe da 5ª seção do CMA, capitão Márcio, não foi localizado pela reportagem até o fechamento desta edição.

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