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Índios discutem políticas públicas

Jornal do Tocantins-Palmas-TO
Autor: Shirley Cruz
04 de Dez de 2002

A elaboração de um documento com propostas de políticas públicas para os povos indígenas nas áreas da segurança alimentar, saúde, educação e infra-estrutura é a meta dos povos indígenas do Tocantins. Desde ontem, eles estão reunidos na Casa Jovem Marista, na 504 sul (Arse 51), na Capital, onde participam do 1o Seminário Para Articulação da Política Nacional de Etnodesenvolvimento Sustentado dos Povos Indígenas. Também participam do seminário tocantinense indígenas do Maranhão, Mato Grosso e Pará.

Durante o evento, que prossegue até essa sexta-feira, os povos indígenas do Tocantins, por meio da União dos Povos Indígenas do Araguaia e Tocantins (UPIAT), vão expor as dificuldades que eles enfrentam para se desenvolver sem que com isso percam sua identidade cultural. Daí porque a ênfase será dada às discussões que envolvam a segurança alimentar e a inclusão social dos indígenas.

O seminário do Tocantins é o primeiro dos 15 que estão programados para acontecer ao longo do próximo ano em vários Estados brasileiros. O objetivo, conforme o coordenador do evento no Estado, Escrawen Sompre, é reunir todas as propostas dos povos indígenas brasileiros e, a partir delas, elaborar um documento nacional de políticas públicas que será entregue à presidência da República para ser inserido no próximo Plano Plurianual do Governo Federal. Sompre ressalta que o documento com as propostas específicas dos povos indígenas tocantinenses será entregue ao Governo do Estado.

A abertura oficial do seminário tocantinense aconteceria na noite de ontem e, além da presença de 35 líderes de organizações indígenas do Estado, estavam previstas presenças de autoridades municipais, estaduais e federais. O evento, segundo Sompre, deverá contar com a participação da presidente da Pastoral da Criança e coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde Indígena, doutora Zilda Arns. A comissão é subordinada ao Conselho Nacional de Saúde, que é o responsável pela organização dos seminários.

Educação
No tema da Educação, os líderes indígenas deverão expor a insatisfação com o atual modelo educacional destinado aos índios. Segundo Sompre, hoje a educação indígena e a educação escolar indígena não atendem às necessidades dos índios, que querem prosseguir seus estudos até o nível superior ou mais além. "Da maneira como é hoje, estamos estagnados e isso não queremos. Para podermos ter segurança alimentar, saúde e mesmo brigar pela manutenção de nossas estradas, bem como zelar pelo desenvolvimento de nossos territórios, é preciso que tenhamos conhecimentos do ensino tradicional dos não índios", resumiu Sompre.

Saiba Mais

Estão representados no seminário tocantinense os seguintes povos indígenas: Apinajé, Karajá, Javaé, Krahô, Xerente, Karajá/Xambioá (Tocantins), Guajajara, Urubu-Kapô, Krikati, Canela e Gavião (Maranhão), Itapirapé (Mato Grosso) e Kaiapó (Pará).

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