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Índios denunciam entidades

Diário de Pernambuco-Recife-PE
07 de Mar de 2003

Cerca de 200 índios pertencentes a sete tribos do Estado estiveram ontem na sede do
Ministério Público Federal (MPF), no Recife, para entregar um dossiê em que pedem
explicações ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e Confederação Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB) sobre a aplicação dos recursos que teriam sido destinados mundialmente
para a Campanha da Fraternidade do ano passado, que teve como foco a situação dos índios
no País. Segundo o cacique da aldeia pankararu, Jurandir Manoel Freire, conhecido como Zé
Índio, US$ 45 milhões foram enviados ao Brasil para utilização em programas voltados para as
tribos indígenas. Sem saber a origem do dinheiro, o índio acusa as duas entidades de terem
promovido o desvio das verbas.
Zé Índio fez críticas também à atuação do Cimi, que, segundo ele, estaria estimulando a
separação das tribos em Pernambuco. "Um exemplo é o que aconteceu entre os xukurus de
Pesqueira", garantiu. Ele disparou também contra o suposto envolvimento da entidade com
políticos do Partidodos Trabalhadores (PT). "Expulsamos os representantes do Cimi da nossa
aldeia, porque somos contra essa ligação", admitiu. Os índios, que passaram a noite na sede
da Funai, no Recife, deverão seguir hoje para as suas áreas.
O advogado do Cimi, Sandro Lobo, afirmou que a tribo Pankararu não reconhece Zé Ìndio
como cacique. "Ele tem uma extensa ficha criminal e usa uma suposta liderança para tirar
proveito próprio". Com relação aos recursos, Lobo garante que as acusações são
improcedentes. "O dinheiro arrecadado não chega nem perto da quantia citada e é
administrado pela CNBB".

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