Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
25 de Jul de 2002
Reunião em Genebra visa a retomada da capacidade de desenvolvimento dos povos
Índios de várias parte do mundo estão reunidos desde ontem em Genebra, para expor às Nações Unidas suas múltiplas reivindicações, que vão da perda de capacidade de desenvolvimento de suas comunidades ao cada vez mais restrito direito às terras próprias, do ponto de vista histórico, e à natureza. "Os primeiros afetados pela globalização são os indígenas", disse o diplomata cubano Miguel Afonso Martinez, que preside a reunião da Subcomissão para Promoção e Proteção dos Direitos Humanos da ONU.
"Quando uma economia vai mal, os primeiros a ser desalojados são os índios", salientou Martinez, há mais de uma década coordenador desse grupo de trabalho, que cuida das populações indígenas. Em duas décadas, segundo ele, os índios conseguiram ao menos que os problemas que enfrentam em seus territórios fossem cada vez mais conhecidos pela opinião pública, sinal de que "tomaram mais consciência de sua capacidade de organização".
Dese 1985, os indígenas esperam por um compromisso internacional para proteger seus interesses contra empresas e conglomerados que exploram os recursos naturais, a energia e as reservas minerais, apesar da resistência de vários países influentes na ONU. Para o dirigente cubano, os índios compreenderam que "terão de continuar a brigar por seus direitos".
"É uma maravilha que esses povos ainda existam mesmo depois dos numerosos esforços para exterminá-los. Foram presenteados com roupas infectadas, os colocaram em prisões em condições tais que os induziram ao suicídio, seus filhos foram enviados para catequese com católicos ou protestantes. Há uma lista de horrores que dificilmente conseguiríamos resumir."
Um dos pontos ressaltados na reunião foi a desestruturação da identidade desses povos, especialmente com a perda gradativa do idioma: uma vez que desapareceram elementos culturais como a linguagem, sua idiossincrasia como povo começou a desmoronar-se. Entre as comunidades mais ameaçadas citadas em Genebra estão os ianomami, da regiâo amazônica brasileira.
Também estão presentes no encontro os nahua, comunidade mexicana ameaçada, os mapuche, do Chile, e vários tribos bolivianas, além de grupos da Sibéria e representantes do Extremo Oriente. O encontro vai até sexta-feira. (EFE)
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