Estadão do Norte-Porto Velho-RO
13 de Out de 2005
Por falta de articulação e interesse, a maioria dos povos indígenas que habitam faixas de terra em Rondônia está ausente da conferência que reúne, desde domingo, em Cuiabá, representantes de 30 etnias do Mato Grosso e Rondônia. O evento, denominado Conferência dos Povos Indígenas do Mato Grosso, sucede a outro realizado recentemente, em Campo Grande, onde estiveram grupos indígenas de Goiás, Tocantins e Leste de Mato Grosso. A conferência é realizada pela Funai, mas até ontem à tarde a representação de Rondônia não sabia se havia delegações locais no encontro. A abertura aconteceu no domingo, quando o sertanista Apoena Meireles foi homenageado. O encerramento será no dia 16.
A Conferência dos Povos Indígenas é a ocasião em que as etnias discutem temas relevantes como conservação do meio ambiente, revisão do Estatuto do Índio, território, saúde, educação escolar e direitos indígenas.
Durante o evento os índios também se reunirão todas as tardes para a elaboração de um documento final com as propostas a serem apresentadas na Conferência Nacional em abril de 2006. Além do documento, os índios devem indicar delegados para o encontro nacional. As Conferências Regionais Indígenas são promovidas pela Funai, em parceria com suas administrações regionais e núcleos de apoio.
Convite
A organização da conferência convidou lideranças de Rondônia, mas não conseguiu a resposta positiva de todas. Recentemente ficou deliberado que apenas alguns líderes, sobretudo os de mais idade, iriam à reunião em Cuiabá. Entretanto, não existe mais um movimento que possa reunir os povos da região. Até mesmo a Cunpir, que coordenava os encontros de grande parte das etnias locais, foi desativada.
Esta é a quinta conferência regional organizada pela Funai. O encontro cumpre o acordo firmado na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê a consulta aos povos indígenas sobre políticas públicas implementadas especificamente para eles. As discussões desta semana contribuirão para o enriquecimento dos debates na Conferência Nacional, a ser realizada em abril de 2006, em Brasília.
Ausentes da abertura da conferência, os povos indígenas do estado perderam a homenagem que foi prestada ao sertanista Apoena Meireles, cuja morte, em Porto Velho, durante um assalto, completou um ano na segunda-feira.
Apoena
José Apoena Soares de Meirelles conviveu com índios desde os quatro anos de idade, acompanhando o pai, Francisco Meirelles, no contato com os índios isolados da floresta. Nessa época desenvolveu a vocação que o consagrou como um dos maiores sertanistas do país. Desde os 20 anos, Apoena era sertanista de destaque da Funai. Para ele "o índio é um ser dotado das mesmas capacidades de desenvolvimento dos não índios".
Apoena Meirelles foi assassinado em outubro de 2004, aos 55 anos, depois de ser vítima de um assalto em uma agência do Banco do Brasil de Porto Velho, Rondônia. Em sua última missão, o sertanista coordenava a força-tarefa criada para impedir a entrada de garimpeiros na terra dos Cinta-Larga e na área de mineração de diamantes da Reserva Roosevelt
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