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Índios de Baía da Traição querem ser lembrados pelos políticos

Correio da Paraiba (João Pessoa - PB)
Autor: Tatiana Learth
21 de set de 1998

Os cerca d e 5 mil índios poti­guaras da Para­íba querem lembrar aos políticos, nas eleições de quatro de outu­bro, que também são cidadãos. O prefeito do município de Baía da Traição, Mar­cas Antônio dos Santos, juntamen­te com lideranças indígenas de todo o Brasil, está tentando cobrar dos candidatos a governador e a presi­dente da República propostas visan­do a melhoria das condições de vida das comunidades indígenas. Demarcação e homologação de terras, incentivo â produção agrí­cola e ao artesanato nas aldeias e reconhecimento dos direitos civis estão entre as reivindicações que devem constar na Carta do Índio, que a Comissão Brasil Indígena 500 anos vai elaborar nos próximos dias 24 e 25, no auditório da PBTur, em João Pessoa.
A Comissão é fonmada por lide­ranças indígenas de diversos Estados Brasileiros, além de pessoas ligadas a movimentos de Direitos Humanos, que também atuam em defesa dos direitos das comunidades indígenas. Os dois únicos prefeitos índios do Brasil - Marcos Antônio dos Santos e João Neves Calibí, prefeito de Oiapoque (AM) - também integram a Comissão.
A Carta do índio será entregue aos candidatos a governador e a presidente da República e, posteri­ormente, aos candidatos eleitos, para alertar aos futuros governos a necessidade de uma política indí­gena regional e nacional.
O prefeito de Baía da Traição - município paraibano com maior po­pulação indígena - ressaltou que nas comemorações de 500 anos do Bra­sil a situação do índio pouco é discu­tida e lembrada tanto pelos políticos como pela sociedade em geral.
Dizimados com a colonização, o índio tenta boje procurar seu es­paço entre tradições seculares e as transformações do chamado mun­do globalizado. Fome, miséria, sui­cídios já fazem parte da rotina de uma sociedade já descrita como "ale­gre" pelos colonizadores. A acultu­ração é tanta que o próprio Marcos Antônio dos Santos afirmou que a única diferença atualmente entre os índios e os não-índios, é que os pri­meiros estão tentando manter suas tradições. Em entrevista ao COR­REIO, o prefeito fala da situação indígena na Paraíba.

ENTREVISTA

Qual é a atual situação do índio na Paraíba?
Muito difícil, já que não há ne­nhum incentivo ou preocupação com as comunidades indígenas. Existe um esforço dos próprios lí­deres da comunidade, mas não existe um projeto regional nem nacional voltado para a situação do índio.

Quais são as principais rei­vindicações das comunidades indígenas?
Incentivo à produção agrícola nas aldeia com vistas à subsistên­cia, além de apoio ao artesanato e proteção à pesca artesanal. Quere­mos também que mais empenho na demarcação e homologação das terras.

Qual a população indígena da Paraíba?
A Paraíba tem hoje uma popu­lação indígena de mais de sete mil índios, a maioria da tribo Potiguara. Somente em Baía da Traição estão quatro mil. Em Marcação e RioTinto também estão com unidades in­dígenas da tribo Potiguara. Mesmo assim, só há uma área demarcada e homologada para os índios na Paraíba, que fica em Baía da Traição. Em Jacaré de São Domingos, em Marcação, há aproximadamen­te três mil índios que não têm terra assegurada.

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