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Índios da tribo potiguara ocupam sede da Funai, em João Pessoa

Corrreio da Paraíba-João Pessoa-PB
Autor: José Alves
17 de mai de 2004

Pressão é pelo reconhecimento de 7.500 hectares de terra no município de Marcação

Aproximadamente 200 índios da tribo Potiguara que residem nas aldeias entre os municípios de Marcação e Rio Tinto (62 e 53 quilômetros de João Pessoa), ocuparam ontem a sede da Funai, em Jaguaribe, em João Pessoa, no sentido de pressionar que o órgão reconheça os 7.500 hectares de terras que estão para ser reintegrados a Usina Miriri.

De acordo com o cacique Bel, de Marcação, a tribo não abre mão daquelas terras e pode haver derramamento de sangue caso elas não sejam notificadas para os índios.

Segundo o administrador regional da Funai na Capital, Petrônio Machado, a terra em questão está num processo de reintegração de posse por conta da anulação do então ministro Renan Calheiros, que desaprovou o relatório da Funai. Conforme o relatório as terras pertencem aos índios e há 100 anos, foram tomadas pela família Lundgren.

O advogado Sérgio Murilo Wanderley expediu dois mandados de reintegração de posse em pelo menos 450 hectares da terra. Exatamente no local onde os índios retiram o sustento das cerca de 500 famílias da localidade com a agricultura. Machado enfatizou que a Funai está trabalhando no sentido de que as terras sejam notificadas para os índios que já viviam na localidade desde 1501.

Os índios ocuparam a sede da Funai desde às 11h00 de ontem e à tarde foi providenciado almoço e colchões para eles esperarem pelo resultado da notificação da terra que deve ser publicada no Diário Oficial de hoje.

Denúncia
O cacique Bel denunciou que antes, os índios viviam da pesca do caranguejo, mas a Usina colocada na área contaminou o mangue e acabou com a pesca.

Hoje, eles ainda têm a agricultura e exatamente no local onde a plantação de milho, feijão, macaxeira e mandioca é maior, os usineiros querem tomar. "Não abriremos mão", disse o cacique.

Os índios da tribo Potiguara chegaram a sede da Funai pintados e prontos para qualquer confronto. Eles se diziam decididos a não recuar, ou seja, a não perder as terras para os usineiros da região. O cacique Bel, foi bem claro e disse que a tribo está preparada para enfrentar até mesmo a Polícia Federal se for o caso. O que eles não querem é perder 450 hectares de terras que lhes pertence desde o ano de 1501.

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