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Índios Assurini recebem o programa Aldeia Solidária

Agência Pará de Notícias - http://www.agenciapara.com.br/exibe_noticias_new.asp?id_ver=49195
Autor: Elielton Amador
09 de ago de 2009

A inauguração oficial do programa Aldeia Solidária, no sábado (8), não pareceu, a priori, mudar a rotina da tribo Assurini do Trocará, dona de uma reserva de 22 mil hectares, a 24 quilômetros do centro de Tucurí (PA). As crianças (tantas que é difícil até para os indígenas contar), sim, se encantaram com a movimentação que incluiu a visita do secretário de Esporte e Lazer do Pará, Albertinho Leão, de um deputado, repórteres, coordenadores do programa e servidores de outras secretarias que lidam com os povos indígenas.

Sob a regência de Pirá Assurini, mais de 50 delas entoaram uma canção chamada "Savará", que conta a história de uma onça que mata a presa e a rodeia para não deixar que outros animais se aproximem para comer da sua caça. Entoaram um canto bem ensaiado que hora lembrava uma melodia gregoriana, mas na maior parte do tempo mantinham certa marcialidade do lamento dos índios, como uma oração. "Quando organizo alguma coisa, gosto de fazer bem feito", disse Pirá, o responsável pelo coral que impressionou a todos.

Visitar uma aldeia é um pouco assim, você precisa primeiro conquistar a confiança deles para saber mesmo o quanto mudou a realidade deles a sua visita. Pirá conta que o Aldeia Solidária vai ajudar muito porque as atividades esportivas, desenvolvidas com os jovens e adultos e as atividades culturais, com as crianças, ajudam a disciplinar e educar também nas tradições da aldeia. "Todas as crianças falam a língua Assurini. Não gostam de falar muito na frente de vocês, ficam tímidas. Mas entre elas, nós entre nós, no mato, falamos normalmente", disse ele, que fala o português tão naturalmente quanto sua língua natal.

A visita a aldeia mostra o quanto eles estão organizados. O que não mudou na rotina foram as obrigações diárias. A maioria dos adultos está na caça ou pescando. "Aqui a gente planta mandioca, milho e outras coisas, mas para nós mesmos. O que sobra da mandioca a gente vende, como vende alguns peixes também, mas nossa alimentação é baseado nisso mesmo", diz Pirá. Antes do jogo inaugural dos jovens e adultos, as crianças recebem um reforço alimentar, que ajuda enquanto a comida não chega da mata.

O jogo começa mais tarde. E só uma demonstração terminou empatado em um a um. Como foi com o arco e flecha, onde os Assurini têm até campeão dos jogos indígenas, um dos motivos pelo qual o deputado Gualberto Neto, de Tucurí, espera articular a vinda dos próximos jogos indígenas para o município. "Em tribos próximas da sociedade urbana, como é relativamente o caso de muitas tribos, o esporte ajuda a manter tradições, a fortalecer a cultura deles e evoluir em organização", explica ele.

O secretário de Esporte e Lazer, Albertinho Leão, concorda. E ressalta que o Aldeia Solidária vai contribuir para um maior aproveitamento escolar das crianças e dos jovens, e como atua em todas as faixas etárias também melhora a saúde dos mais idosos. "A gente trabalha em parceria com a comunidade. Por isso, recursos que não estão previstos no programa federal serão repassados para a associação deles, pelo estado, para que possam pagar transporte e outros serviços que dificultam o trabalho numa aldeia distante do centro", explica.

Quem vai trabalhar no programa, organizando as atividades esportivas, é o instrutor Olavo Rocha, professor de educação física que já atuou em vários jogos indígenas. Contratado pela Seel e com acompanhamento da coordenadora Neusa Sá, ele vai três dias na semana até a aldeia (segunda, terça e quarta) para passar pelo menos sete horas organizando as atividades. "Não é um trabalho que pode ser feito por qualquer um, mas nossa experiência ajuda na área", diz ele, que se mostrar bem entrosado com os Assurini.

Albertinho Leão espera ampliar em 2010 o projeto, que tem duração de 12 meses, e começa nessa primeira etapa em Tucurí e em Marabá, atendendo mais 200 índios na aldeia Surui Sororó, que fica na BR-153, entre São Geraldo e São Domingos do Araguaia. "Ampliar o projeto é uma consequência natural, até porque as aldeias se estruturando cada vez mais, já vamos ter o primeiro time de futebol formado por índios do mundo, então, você pode notar que é uma população que o estado não pode ignorar jamais", disse ele.

Elielton Amador - Secom

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