Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: ÂNGELA LACERDA
08 de Ago de 2003
Cerca de 300 pessoas fazem passeata no Recife para denunciar 'violência' das oligarquias
Índios, negros e trabalhadores sem-terra participaram ontem à tarde de uma passeata no Recife para denunciar a violência das oligarquias rurais contra os excluídos do campo. O bispo de São Félix do Araguaia (Tocantins), d. Pedro Casaldáliga, fundador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), afirmou não existir coisa mais arcaica do que o latifúndio.
"Enquanto houver latifúndio, não tem paz nem justiça", disse ele durante o ato intitulado "Marcha da terra sem males", que mobilizou cerca de 300 pessoas. Com carro de som e tambores de maracatu, os manifestantes caminharam em fila indiana da Rua do Imperador até o monumento Tortura Nunca Mais, na rua da Aurora, no centro da cidade.
Vestidos a caráter, os índios dançaram o toré quando passaram na frente do Palácio do Governo, na Praça da República.
Pistoleiros - Também presente ao protesto, o Movimento dos Sem-Terra (MST) denunciou que quatro integrantes estão sendo ameaçados de morte. Entre eles, uma das mais fortes líderes do Estado, Luíza Ferreira da Silva, coordenadora da Zona da Mata norte. Ela contou ter sido procurada, na sexta-feira, na sua casa, por seis homens encapuzados. Luíza estava escondida "no meio do mato" porque já estava ameaçada. Agora, está em casa de parentes. "A polícia indicia e prende, mas pistoleiro chega para matar", afirmou ela, assustada.
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