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Índio tem apito alto e de longo alcance

JB, País, p. A4
28 de Nov de 2004

Índio tem apito alto e de longo alcance

As ONGs indigenistas trabalham para desmistificar o propalado compromisso do governo Lula com minorias. Longe dos holofotes, aproveitam contatos com financiadores no exterior e embaixadas, denunciam o desmonte da assistência às populações indígenas, sobretudo em saúde e educação. Reconhecem o crescimento do volume de recursos mas anunciam que aumentaram também os obstáculos burocráticos. São unânimes em afirmar que ocorreu retrocesso. Na Educação, o governo FH fez convênios com organismos internacionais, como o Pnud, que facilitavam a distribuição do dinheiro. O governo do PT centralizou tudo no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação que burocratizou o acesso aos recursos - os solicitados há seis meses não têm perspectiva de liberação.

Em relação à saúde, a crise é mais grave, pelo despreparo dos contratados pela Fundação Nacional de Saúde que, desde julho, assumiu a coordenação de toda a assistência médica aos índios. Os líderes dos ianomâmis enviaram carta ao presidente da Funasa, Valdir Camacho, informando 11 mortes nos últimos cinco meses por falta de atendimento ou medicamentos e denunciam servidores que assediam sexualmente suas mulheres. Para piorar, organismos e ONGs estrangeiros, informados sobre esta situação, aliam-se no protesto, mas reduzem cada vez mais as doações e financiamentos aos projetos das organizações brasileiras.

Barril de pólvora

Mofa na Justiça a homologação da Reserva Raposa do Sol, mas a área continua conturbada. Fazendeiros destruíram as aldeias Javari, Homologação, Brilho do Sol e São José no mesmo dia em que o ministro Márcio Thomas Bastos levava à região a campanha de desarmamento. Coordenador do Conselho Indígena de Roraima, Jacir Souza Macuxi afirma que há um índio desaparecido.

JB, 28/11/2004, País, p. A4

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