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Indigenistas protestam contra demissão de responsável por índios isolados na Funai

O Globo - https://oglobo.globo.com/brasil
05 de out de 2019

Indigenistas protestam contra demissão de responsável por índios isolados na Funai
Em carta aberta, pesquisadores falam em 'genocídio' contra populações indígenas diante do corte de investimentos

Leandro Prazeres
05/10/2019 - 18:46 / Atualizado em 05/10/2019 - 19:08

BRASÍLIA - Sertanistas e indígenas que atuam na proteção a índios isolados protestaram contra a exoneração de Bruno Pereira, que chefiou a coordenação-geral do setor na Fundação Nacional do Índio (Funai) até a sexta-feira (4), quando foi exonerado pela atual direção do órgão. Em carta aberta, eles afirmam que o governo promove um "genocídio" dos isolados ao cortar investimentos na área e por interferências "ideológicas" na atuação da Funai .
Bruno Pereira é servidor da Funai desde 2010. Ele atuava como coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato do órgão, um dos setores mais técnicos do órgão. Ele era o responsável pro 11 equipes que atuam na região amazônica na proteção de índios que ou ainda não foram contatados ou que tiveram o seu contato com o restante da sociedade há pouco tempo. Neste ano, Pereira chefiou uma mega-expedição ao Vale do Javari , no Oeste do Amazonas, a maior dos últimos 20 anos.
Na sexta-feira, ele foi exonerado do cargo pelo atual presidente da Funai, o delegado da Polícia Federal Marcelo Augusto Xavier. Em nota enviada ao blog do jornalista Matheus Leitão, a Funai classificou a exoneração como "natural" e resultado da nova gestão do órgão.
Na carta, porém, 14 indigenistas e lideranças indígenas protestaram contra a exoneração de Pereira. Segundo o documento, a proteção aos índios isolados precisa ser feita de forma técnica e sem interferências ideológicas. Em determinado trecho, a carta diz que a atual política indigenista do governo promove o "genocídio" dos povos isolados.
"Chamamos atenção ainda para o crime de genocídio em curso, pelos frequentes cortes e contingenciamentos impostos a Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato, e neste momento pela exoneração do Coordenador-Geral Bruno Pereira", diz um trecho da carta.
Em outro trecho, o documento diz que a exoneração de Pereira seria uma "interferência ideológica".
"Ressalte-se que possíveis interferências ideológicas como as que estamos presenciando nos quadros técnicos da Funai, em especial, desta Coordenação Geral é da maior gravidade", diz a carta.
O documento termina afirmando que o grupo pretende mobilizar a sociedade para denunciar em cortes internacionais o que classificaram como "nítida tentativa da desconstrução da política brasileira de defesa e promoção" dos direitos dos índios isolados e de recente contato.
Agronegócio e garimpos são ameaças
Os índios isolados são considerados os mais vulneráveis ao avanço do agronegócio e da mineração ilegal na Amazônia. Entre os fatores que os tornam frágeis está susceptibilidade a doenças comuns fora do ambiente nos quais vivem e para as quais eles não teriam proteção imunológica.
Nos últimos meses, a Funai tem sido alvo de disputas políticas que derrubaram o ex-presidente do órgão, general Franklinberg de Freitas, e alçaram Marcelo Augusto ao comando do órgão.
A atuação da Funai vem sendo considerada um empecilho para ruralistas e defensores de garimpos interessados em utilizar terras indígenas tanto para a produção de grãos e pecuária quanto para a mineração.
A reportagem do GLOBO procurou a Funai para se manifestar em relação à carta, mas até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta havia sido enviada.

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