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Indígenas sofrem tentativa de linchamento em presídio

Midiamax
09 de Mar de 2008

Dois indígenas que cumprem pena no regime fechado do EPAm (Estabelecimento Penal de Amambai) tiveram que ser socorridos para o Hospital Regional local após sofrerem tentativa de linchamento dentro do presídio no final da tarde desse domingo (9) em Amambai.

Ramão Martins dos Santos Barburas de 27 anos, que cumpre pena por furto e lesão corporal e Side Gonçalves de 34 anos, condenado há 3 anos e 6 meses de prisão por tráfico de drogas e responde a um segundo processo na Justiça sob acusação de esconder maconha dentro do presídio em Amambai, sofreram ferimentos no rosto e pelo corpo, causados por golpes com pedaços de cabos de vassoura.

Segundo Ramão Martins, que já recebeu benefícios como a progressão para o regime semi-aberto, más por duas vezes deixou de cumprir as determinações e voltou para o regime fechado, a agressão contra si ocorreu por conta de acertos de conta do período que ainda não estava preso. Já a outra vítima, Side Gonçalves, teria sido agredido por conta de desentendimento dentro da cadeia.

Quase fomos linchados. Só não estamos mortos por causa da interferência dos agentes penitenciários”, disse um dos agredidos ao receber atendimento médico no hospital.

Superlotação seria a causa principal Segundo o interno Ramão Martins um dos motivos que teria levado o grupo de presos a agredi-los fisicamente, estaria relacionado à superlotação no presídio, que tem capacidade para abrigar 67 detentos na ala masculina do regime fechado e hoje está com 197.

"Eles querem bonde (transferência para outras unidades prisionais) e estão provocando tumulto na cadeia para forçar transferência", disse Ramão.

Procurado pela reportagem a direção do presídio confirmou a superlotação. "Estamos com a lotação bem acima da capacidade. Precisamos tirar pelo menos 20 internos com o máximo de urgência", disse Alexandre Ferreira, diretor do regime fechado do EPAm ao relatar que o problema da superlotação também se estende para a ala feminina do Estabelecimento Penal onde a capacidade é para cinco, mas atualmente abriga 17 mulheres.

Risco de guerra entre brancos e índios

O episódio envolvendo a agressão dos dois indígenas na tarde desse domingo deixou a direção do presídio e os agentes penitenciários em alerta máximo tendo em vista o iminente risco de uma "guerra" entre índios e brancos dentro das celas.

O Estabelecimento Penal de Amambai conta atualmente com 41 índios presos na ala masculina, a maior parte condenados ou aguardando julgamento por homicídio ou tentativa de homicídio.

Segundo as informações a agressão aos dois indígenas na tarde desse domingo só não deflagrou uma guerra por conta do comportamento dos dois índios agredidos dentro da cadeia que não seguiria os padrões disciplinares adotados pelos demais indígenas presos que segundo a própria Agepen é pacífico e seguem as risca, as normas determinadas pela direção da unidade prisional.

Informações não confirmadas dão conta que nenhum outro indígena teria saindo em defesa dos "patrícios" agredidos por conta da intervenção de Miguel Amarilha. Miguel, que é guarani-kaiowá e cumpre pena de 23 anos de prisão por matar o próprio pai, crime cometido no dia dos pais, e que é uma espécie de líder dos demais indígenas dentro da cadeia, teria controlado a situação, mas feito um alerta que não aceitaria que mais indígenas viessem a serem agredidos por brancos dentro do presídio.

Segundo a direção do presídio os dois indígenas agredidos, Ramão Barburas e Side Gonçalves, após receberem atendimento médico seriam colocados em uma cela disciplinar para evitar que sofram novas agressões.

A superlotação no Estabelecimento Penal de Amambai que está situado na região central da cidade pode ter contribuído para uma fuga ocorrida no final do ano passado (2007) onde os dois foragidos acabaram capturados pela polícia e em uma tentativa de fuga registrada há duas semanas, ação descoberta e barrada pelos agentes penitenciários.

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