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Indígenas são ameaçados

Adital
28 de Out de 2005

Um grupo de indígenas sem contato que vive no Mato Grosso está
ameaçado pela ação de grileiros, que planejam aumentar sua presença na
terra indígena Rio Pardo, na região dos municípios de Colniza e Aripuanã.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), as ameaças partem de
três grupos distintos, mas relacionados. Uma equipe da Funai (Fundação
Nacional do Índio) que visitou o local relata a existência de acampamentos
de base dos grupos invasores. Em um acampamento foram encontradas duas
bombas, motosserras, equipamentos como GPS e placas com coordenadas das
terras pleiteadas pelos invasores.

"A ação dos madeireiros é forte. É necessário tomar medidas urgentes para
garantir a vida dos indígenas. A Polícia Federal e o governo brasileiro
têm que agir: retirar os invasores da área, garantir a presença da Polícia
Federal e iniciar a identificação da terra", afirma o procurador da
República em Mato Grosso, Mario Lucio de Avelar.

Entre os invasores está a Associação dos Proprietários Rurais de Colniza,
acusada de grilar terras na região norte da Serra Morena, fronteira do
Mato Grosso com o Amazonas. Um projeto de colonização da Associação
planeja o assentamento de 107 famílias para exploração de madeira e
ecoturismo e afirma que não há "vestígios de pueblos silvícolas que
conteste a legitimidade da posse na área pelos associados".

Há grilagem também na parte noroeste da terra. Ali já se instalaram 200
pessoas e há previsão de entrada de mais 400 nos próximos dias. Nas
regiões sul e leste da terra, as ameaças vêm através de grupos madeireiros
e agropecuários que ocupam grandes áreas. Algumas têm mais de 23 mil
hectares.

A terra se encontra interditada pela Funai devido à presença de pueblo sem
contato, mas o Grupo Técnico para identificação ainda não iniciou o
processo de reconhecimento da terra, havendo o risco de haver a
desinterdição da terra, já solicitada pelos invasores. Quando há grupos
isolados, é normal que a área seja interditada para garantir a vida dos
indígenas enquanto os estudos antropológicos são realizados.

O CIMI informa ainda que indígenas do pueblo Chiquitano também são
ameaçados de morte por fazendeiros em Mato Grosso. Este pueblo vive na
terra indígena Lago Grande, município de Pontes e Lacerda. Em 20 de
outubro, um padre presenciou ameaças à comunidade feitas pela fazendeira
Terezinha Helena Staut Costa, acompanhada de jagunços armados. A terra
indígena está em estudo de identificação desde 2003. A procuradoria da
Funai pediu instauração de inquérito para apuração das denúncias.

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