A Crítica-Manaus-AM
27 de Mar de 2002
A capacitação de recursos humanos para atender a demanda das organizações indígenas na Amazônia Legal é uma das questões que terá do movimento indígena do Brasil e das organizações parceiras nacionais e internacionais atenção especial a partir do segundo semestre deste ano. A indicação nesse sentido deverá ser apresentada hoje (28), no início da noite, em Belém (PA), no documento final do 1o Seminário de Fortalecimento Institucional que reúne, no Hotel Fazenda Paraíso, em Mosqueiro - região praiana -, cerca de 50 lideranças indígenas de todo os Estados da Região Amazônica e representantes de órgãos governamentais e agências internacionais de cooperação.
Nos dois primeiros dias do encontro, destinado a formulação de um diagnóstico da área, as lideranças indígenas classificaram como deficientes os seguintes pontos: capacitação dos recursos humanos na área indígena, infra-estrutura inadequada, ausência de assessores e frágil fluxo de informações entre os índios dos assuntos que lhes dizem respeito, e a escassez de recursos para desenvolver atividades que promovam a qualificação e o grau de intervenção dos indígenas nas políticas públicas do País.
"É a primeira vez que nos sentamos para discutir e definir mecanismos que fortaleçam a nossa atuação e, a médio prazo, se reflitam em respostas às nossas necessidades de administrar nossas potencialidades", diz o gerente técnico do Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI), Gersem dos Santos Luciano, um dos principais responsáveis pela realização do encontro. O fato de os índios dedicarem três dias para discutir entre si e com seus parceiros o fortalecimento institucional constitui-se, de acordo com Gersem Luciano, em um dado novo na postura política do movimento indígena no Brasil. "Sabemos que a partir de agora vamos lidar com novas exigências e precisamos qualificar nossa atuação e isso exige que passemos a nos preocupar com a formação de gestores, investir nas lideranças de hoje e do futuro, enfim trabalhar para que cada vez mais os índios assumam diretamente o comando das ações e programas que nos dizem respeito", reforça. "Tomamos uma decisão política de investir firme nessa área para poder trabalhar o futuro com novas perspectivas ou ficaremos marcando posição sem avançar", diz Gersem.
O seminário de fortalecimento institucional é uma das atividades previstas dentro do PDPI - um componente do Projetos Demonstrativos (PD/A) desenvolvido no âmbito do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7). Implantado há cinco meses, com escritório em Manaus, o PDPI é resultado das reivindicações do movimento indígena, lideradas pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), quanto à participação mais direta dos índios nos programas a eles destinados. Os recursos do encontro estão sendo custeados pelo Governo britânico, por meio do Departamento Internacional para o Desenvolvimento (DFID). Estão presentes nesse seminário os representantes do Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Coordenação da Amazônia (MMA/SCA), Fundação Nacional do Índio/Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (Funai/PPTAL) e da agência alemã de cooperação GTZ (Deutsche Geselischaft fur Tecchnische Zusammenarbeit).
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