OESP, Caderno 2, p. D12
27 de Ago de 2008
Indígenas expõem suas criações em marchetaria
Índios de seis etnias apresentam mais de uma centena de obras em madeira, feitas a partir de um curso, que serão vendidas para a formação de um museu
Liege Albuquerque, MANAUS
Lâminas de madeira imitando as curvas dos rios, dos igarapés, dos cipós, das peneiras, de aves míticas e vários trançados amazônicos são objetos de uma exposição de arte em marchetaria feita por indígenas em Manaus. A mostra Trançados e Cores da Amazônia, que fica em cartaz até dia 31 no Manaus Casa Shopping, terá com todas as 115 obras expostas à venda. Para o artista fica 70% do valor da obra e 30% vai para um fundo para a criação de um museu, o Museu de Arte e Imaginário da Amazônia (Maia), que vai ser inaugurado em dois anos e já tem mais de 800 peças de arte indígena em seu acervo.
Os artistas, oito indígenas de seis etnias, passam para a colagem das micro- lâminas de madeira de restos de árvores da Floresta Amazônica toda a minúcia e destreza conquistada em três anos de curso no Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura Amazônicas.
"Eram 125 obras, só que dez foram compradas e doadas para o acervo do Maia, mas estarão expostas", afirma a curadora do museu e uma das organizadoras da exposição Trançados e Cores da Amazônia, Aidalina Costa.
A mais jovem das artistas, Kawena, de 20 anos, da etnia Uanano, transferiu para seus dois quadros expostos a imagem de um pajé e de um gavião protetor de sua aldeia. "As imagens são desenhadas em panelas, paredes de ocas, mas em madeira é a primeira vez que meus parentes (indígenas) vêem e gostaram", diz a artista.
Ébano, mogno e amapá foram as madeiras usadas pela indígena, que produziu seus dois quadros em duas semanas, trabalhando pelo menos 12 horas por dia. "É trabalhoso, tem que ter muita paciência e saber fazer o desenho indígena antes da colagem", conta Kawena, que antes da marchetaria não fazia arte.
Tchanpan, de 35 anos, da etnia Kokano, já trançava com tucum cestos e peneiras em sua aldeia, no Alto Solimões. "No curso, ajudava os colegas a desenharem os trançados, já que trabalhava com eles", diz. Tchanpan afirma que gosta de dar um olhar "em zoom" sobre os trançados. Em sua obra, Trançado do Tucum, mostra de perto as curvas do cipó amazônico mais usado em arte indígena. "Não foi muito fácil fazer as curvas em imbuia, mas com paciência consegui."
O indígena Kokano trabalhou nas duas obras expostas, o quadro mostrando de perto o trançado do tucum e em uma mandala imitando o fundo de uma peneira de farinha de mandioca, com seis madeiras: imbuia, mogno, goiabão, zebrano, ébano e marfim. Tchanpan, como os outros artistas, não quis dar preço para suas obras, definidos pelos curadores da exposição. Os quadros têm o preço médio de R$ 1 mil e podem ser adquiridos em contato com o institutodirsoncosta@gmail.com.
OESP, 27/08/2008, Caderno 2, p. D12
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