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Indígenas encerram invasão em Parintins

A Crítica(AM) - http://acritica.uol.com.br/
Autor: Jonas Santos
04 de dez de 2010

A manifestação, que durou 11 dias, encerrou após os tuxauas falarem, por telefone, com o Secretário Nacional da Sesai, Antônio Alves, que prometeu atender as reivindicações

Após o tumulto de quinta-feira (2), índios, das etnias sateré-mawé e hexkaryana, decidiram, na tarde de ontem, desocupar a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), da Secretaria Nacional de Saúde Indígena ( Sesai), em Parintins ( a 325 quilômetros de Manaus), antiga Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

As lideranças indígenas e o assessor especial da Sesai de Brasília, Valdenir Andrade, celebraram acordo para que num prazo de 90 dias, ocorra a mudança na chefia do Dsei local. "Os tuxauas deliberaram que para evitar um novo confronto, ou algo mais grave, seria melhor entrar num entendimento e reivindicar diretamente, em Brasília", disse o articulador do Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM) Geter Filho.

Ontem mesmo as atividades na Sesai, em Parintins, voltaram ao normal e os profissionais de saúde serão encaminhados imediatamente às reservas indígenas, informou o assessor da Sesai. "Estamos em processo de mudança e nesta hora é necessário um controle social das atividades. A criação desta secretaria vai possibilidade melhorias nas ações da saúde nas comunidades indígenas", afirmou Andrade.

Sobre o documento que levará em mãos, com as reivindicações dos manifestantes, Andrade mudou o tom do discurso da última reunião. " É preciso ouvir as lideranças indígenas, porque são elas que sabem as necessidades que passam as aldeias", argumentou. O assessor disse ainda que o secretário Nacional deverá visitar Parintins até o mês de fevereiro de 2011.

Geter Filho disse que a confusão de quinta-feira, que acabou num confronto entre os próprios indígenas, ocorreu porque as lideranças pleiteavam a saída do administrador do Dsei Salomão Marialva e o assessor mostrou uma portaria que lhe efetivava no cargo. " Pedimos uma coisa e veio outra totalmente ao contrário. Isso revoltou nosso povo e ao mesmo tempo nos deixou triste", justificou. " Agora vamos acompanhar de perto para que esse acordo com a Sesai, que assinamos aqui seja cumprido. Se preciso as lideranças irão a Brasília para pressionar a mudança no órgão", concluiu.

A reunião de quinta-feira encerrou com a chegada da Polícia Militar. No encontro os índios protestaram porque as lideranças indígenas não foram consultadas sobre a decisão de deixar Salomão interinamente no cargo. Os tuxauas deverão indicar três indígenas, que serão escolhidos ainda em Assembleia Geral, para ocupar a função.

A presença da Polícia Militar na sede da Sesai foi recebida também com protesto. Os índios disseram que foram constrangidos e que somente a Polícia Federal poderia ter acesso ao prédio. Sobre este caso eles fizeram denuncia a Fundação Nacional de Saúde e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). São 11 mil índios sateré mawé que habitam os Municípios de Parintins, Barreirinha e Maués e 900 hexkaryana vivem nas aldeias do Município de Nhamundá.

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