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Indígenas e pesquisadores iniciam o debate político sobre Belo Monte

Amazônia.org
20 de mai de 2008

Debates políticos em torno dos projetos energéticos da Bacia do rio Xingu, em especial a hidrelétrica de Belo Monte, dominaram os debates do segundo dia (20) do encontro Xingu Vivo para Sempre. Participaram também ribeirinhos, extrativistas, pequenos agricultores, indígenas do Xingu e de outras regiões que chegaram hoje à Altamira para apoiar os índios.

Participaram da abertura do dia índios de outras regiões, mas que também serão impactadas pelas barragens no rio Xingu. O cacique dos índios do baixo Tapajó disse durante apresentação que é importante a participação e apoio já que as mudanças afetam também suas tribos. "Nós estamos aqui dando apoio a vocês, porque o que impacta nas suas vidas vai impactar na nossa também", afirma. "O povo branco diz que energia hidrelétrica é limpa, mas eles nunca falam da energia do sol e dos ventos", disse o cacique.

Reinaldo Correia, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), ressaltou que o empreendimento não trará riquezas para a região e que a Amazônia costuma ser tratada como um "armazém" de riquezas.

Durante as apresentações de hoje outros caciques também falaram, além do pesquisador André Vilas, Boas do Instituto Socioambiental (ISA), que fez um balanço do movimento de 89 e as diferenças para Belo Monte nos dias atuais. Na parte da tarde, começa um debate entre o pesquisador da Unicamp Oswaldo Sevá e um representante da Eletrobrás.

O empreendimento
Belo Monte foi orçada pela Eletronorte em R$ 10,8 bilhões. O projeto prevê a transposição do Xingu na chamada Volta Grande, desviando as águas para a parte central e aproveitando o declive geográfico para acionar as turbinas. Porém segundo o estudo da Conservation Strategy Fund, o montante não inclui os gastos com linhas de transmissão e a construção do porto fluvial e das eclusas.

Ficaram também de fora neste orçamento os custos "indiretos" segundo afirma o estudo, como os gerados pela perda nas atividades pesqueira, agropecuária e de turismo, perda da ictiofauna (peixes) migratória, perda da qualidade da água e de seu aproveitamento para abastecimento da população local, indenizações, etc.

O evento busca criar um movimento unificado na bacia do Xingu para dialogar a respeitos das problemáticas do empreendimento. Esta prevista para hoje também a exposição de representantes da Eletronorte.

http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=271131

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