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Indígenas e Belo Monte - Covardia Criminosa

Roraima em Foco
Autor: Hiram Reis e Silva (*)
27 de mai de 2008

Em fevereiro de 1989, o então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, ganhou destaque internacional ao ser ameaçado com um facão pela índia kaiapó Tuíra no I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira. A imagem de Muniz Lopes com o facão no rosto ganhou destaque internacional e fez com que o Banco Mundial (BIRD), pressionado pelas organizações ambientalistas internacionais, retirasse seu apoio financeiro ao projeto.

A Cena se repete
O engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, coordenador dos estudos de inventário da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, foi a Altamira convidado pelos organizadores do Encontro Xingu Vivo para Sempre para apresentar os estudos que estão sendo feitos sobre aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte. O encontro foi organizado pela Arquidiocese de Altamira e teve a participação de aproximadamente duas mil e quinhentas pessoas, entre representantes de populações indígenas e ribeirinhas, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e pesquisadores que discutiram projetos hidrelétricos e seus impactos na Bacia do Rio Xingu

Na terça-feira, 20 de maio, após ter realizado sua apresentação o engenheiro Rezende estava assistindo a exposição do terceiro palestrante quando um grupo de índios o puxou pela camisa e o derrubou no chão e começou a golpeá-lo com bordunas e facões até ser cortado por um deles.

A Justificativa dos Covardes - nós não entendeu
"Esse engenheiro, ele chegou, foi, explicou muita coisa diferente, muito mal. Ele agrediu os kayapós, ele agrediu o pessoal ali no evento. Engenheiro falou coisa mal demais e nós não entendeu. Eu peguei na camisa dele, rasguei a camisa, eu sabendo que ele tava muito mal, falando da Funai, falando nos índios, índio não é assim, que temos que aceitar a barragem. Eu briguei, tirei a camisa", afirma

Ireô um dos agressores tentando justificar a agressão.

A Justificativa do Bispo - O culpado foi o engenheiro
O bispo de Altamira Dom Erwin Krautler, presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), lamentou a agressão, mas questionou a postura do engenheiro durante o encontro. "Os índios não queriam matar esse homem. Por outro lado tenho que dizer que o homem não usou de pedagogia para com os povos indígenas. Ele não entendeu a alma kaiapó, senão não teria acontecido nunca um incidente como este", disse, ainda, que viu o fato como uma defesa dos indígenas - "Os índios se sentiram provocados".

Krautler, a eminência parda do encontro, já havia deixado bastante clara sua posição, durante a Constituinte de 1988, quando endossou a proposta do CIMI de introduzir na Constituição o conceito de multinacionalidade para os indígenas, com autodeterminação sobre os respectivos "territórios". A proposta dizia textualmente: "O Brasil é uma república federativa plurinacional" e "os membros das nações indígenas possuem nacionalidade própria, distinta da nacionalidade brasileira". O documento vinha assinado por 500 "ovelhas" de Dom Erwin Krautler, bispo do Xingu. (O Estado de São Paulo - Sexta-feira, 19 de janeiro de 2001)

O Plano
Não temos dúvida de que o engenheiro Rezende foi vítima de mais um plano arquitetado pelos organizadores do Encontro que buscaram inspiração, em fevereiro de 1989, quando o presidente da Eletronorte, Muniz Lopes, foi ameaçado pelo facão da índia kaiapó Tuíra. O fato, na época, ganhou repercussão internacional e teve como conseqüência a perda do apoio do Banco Mundial (BIRD) e o adiamento da construção da barragem por quase duas décadas.

Cidadão Pleno
O índio Integrado é o índio que passou a conviver com os elementos da sociedade nacional, portador de todos os documentos exigíveis aos cidadãos brasileiros, em pleno gozo dos seus direitos civis e políticos; é um índio integrado à comunhão nacional, pouco importando sua origem. Não é o berço que identifica o índio para, mas o estado atual de seu desenvolvimento, em contato com o mundo civilizado.

O índio integrado, é de direito, precisa ser, de fato, cidadão brasileiro com os mesmos direitos e deveres que qualquer outro. A legislação indigenista precisa ser urgentemente reformulada, de modo a ampliar o atendimento às necessidades e à responsabilidade civil do silvícola. A sociedade civil não pode se tornar refém de atitudes violentas por parte de índios que tem consciência do que estão fazendo. Em toda civilização ou cultura a agressão covarde, o estupro, o assassinato, o cárcere privado são repudiados.

Apenas para recordar
10/06/1992 - Paiakan é acusado de um crime catalogado como hediondo na lei brasileira - o estupro, acompanhado de tortura e tentativa de homicídio, da estudante Silvia Letícia da Luz Ferreira, de 18 anos. (Leonardo Coutinho - Veja - Edição 2029)

25/01/2008 - Cacique-chefe da Funai responde por assassinato, contrabando e exploração ilegal de diamantes - Assassinato, formação de quadrilha e contrabando são algumas das acusações pelas quais Nacoça Pio responde, junto com João Bravo e Ita Cinta-Larga. Os três foram indiciados pela Promotoria de Justiça de Espigão do Oeste, cidade onde se localiza a sede da reserva Roosevelt logo após o massacre de 29 garimpeiros, em abril de 2005.(Carlos Macena - VemBrasil.net)

Conclusão
Os Cinta-Larga podem desfilar nas suas camionetes de cabine dupla com ar-condicionado e ocupar postos na FUNAI e não são condenados pela morte de 29 garimpeiros. Paiakan, o estuprador, continua impune. Até quando justificaremos as ações vis e condenáveis de nossos maus indígenas? Será que no Brasil a justiça não é para todos ?

As ações dos indígenas de hoje mancham a memória de um Tibiriçá, Araribóia, Filipe Camarão e tantos outros cuja postura heróica e altaneira gravaram páginas de ouro da nossa História.
(*) Coronel de Engenharia, professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
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