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Indígenas do Mato Grosso do Sul ocupam pólos da Funasa

Adital - http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=40888
03 de set de 2009

Grupos de indígenas do Mato Grosso do Sul ocuparam os pólos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) nos municípios de Miranda e Paranhos. Desde o dia 1o de setembro, representantes das aldeias Pirajuí, Arroyo Corá, Sete Cerros, Paraguaçu e Potrero Guasu, reivindicam melhorias no sistema de saúde indígena da região. Estima-se que cerca de 5.000 pessoas que vivem nas aldeias sejam afetadas pela falta de assistência da Fundação.

Os indígenas reclamam da total ausência de medicamentos, o que impossibilita, além da cura de doenças comuns, o tratamento periódico de casos mais graves. As ambulâncias estão fora de uso, o que compromete a locomoção dos mais adoentados para o centro urbano das cidades, em busca de hospitais mais capacitados para os atendimentos.

Segundo Ramão Perena, um dos líderes indígenas do grupo que ocupou o pólo de Miranda, a ação foi uma forma de chamar a atenção do governo para a falha crônica no sistema de saúde das comunidades indígenas. "Estamos com problemas desde 2008", diz ele, "a verba pública que deveria ser usada para melhorar a saúde em nossas tribos nunca é completamente recebida, e ninguém sabe explicar que uso se faz desses recursos".

Ramão ainda aponta o descaso de muitos funcionários da Funasa com os membros das tribos, e ressalta a necessidade da escolha de pessoas qualificadas para ocupar tais cargos. Na última quarta feira, por exemplo, segundo afirmou, um funcionário da Fundação agrediu um dos índios que ocupavam o pólo de Miranda. O caso está sendo resolvido na delegacia da cidade.

Após uma reunião com o chefe do pólo base de Miranda, na tarde da última quarta-feira, 2, os trezentos índios que ocupavam o local voltaram para casa. Insatisfeitos com o resultado do diálogo, não descartam uma nova ação. Eles argumentam que o chefe do pólo não possui poder suficiente para operar mudanças, e que o ideal seria uma conversa direta com um representante do Ministério da Saúde.

Segundo Rogério Rocha, assessor jurídico do Conselho Indígena Missionário (CIMI) do Mato Grosso do Sul, o sucateamento da saúde indígena é justificado pela difícil transição entre órgãos públicos. A Funasa está em processo de extinção para dar lugar a uma Secretaria Especial de Saúde Indígena, que seria diretamente vinculada ao Ministério da Saúde e poderia atuar nas tribos em consonância com as suas peculiaridades e necessidades. "É dever do CIMI apoiar as reivindicações indígenas, e oferecer todo o apoio político de que eles necessitem", ressaltou Rogério.

A ocupação no pólo de Paranhos, na fronteira com o Paraguai, continua por tempo indeterminado.

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