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Indígenas dizem ter sofrido agressão de policiais dentro de aldeia, em Manicoré

D24AM (Manaus - AM) - www.d24am.com
15 de jul de 2015

Segundo relato feito à Cimi, policiais faziam escolta de empresa de turismo em área indígena quando houve o confronto

Manaus - Vários indígenas relataram a uma equipe do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), instituição ligada à Conferência Nacional dos bispos do
Brasil (CNBB), que foram espancados e um adolescente de 15 anos mantido algemado sob o sol durante várias horas, numa operação policial, no último dia 13, na aldeia Vista Alegre, no Rio Marmelos, afluente do Madeira, no município de Manicoré (AM), a cerca de 350 quilômetros ao sul de Manaus.

De acordo com relato dos indígenas à equipe do Cimi vários policiais de Humaitá (AM), identificados apenas como Ceiton Cruz, Paulo Humbelino, Anderson Gomes, Roberto Lobo, Elisan, Rosana Correia, Evanildo, Tatiane e Denis, entre outros não reconhecidos, chegaram de barco à comunidade, informando que faziam a escolta de pessoa de uma empresa de turismo que promove excursões e pesca esportiva dentro da terra indígena. Segundo os indígenas, em frente a aldeia Vista Alegre houve o confronto com os policiais porque os moradores da localidade - dos povos Torá e Mundurucu - não aceitam as atividades da empresa de turismo em suas terras.

Segundo eles, a presença de estranhos compromete a variedade de pescado da qual se alimentam, afugenta a caça e provoca outros impactos sociais e ambientais. Os indígenas feridos relatam que foram agredidos com spray de pimenta, razão pela quais muitos passaram mal. Um indígena, identificado como Thome, disse que chegou a ser agredido com um pedaço de ripa.

De acordo com informações do Cimi, desde o último dia 4 de julho, uma empresa de turismo do segmento de pesca esportiva está tentando entrar no rio Marmelos. A empresa já promove entrada de não indígenas na área dos índios Tenharim, da terra indígena Marmelos na BR-230 (Transamazônica). O Cimi informou que, na conferência local de Política Indigenista, ficou acordado que haveria uma reunião com todas as aldeias do Baixo Rio Marmelos para esclarecimento de um suposto contrato de pesca. Isso não aconteceu. Representantes da empresa disseram que eles iriam passar e se houvesse algum impedimento por parte das aldeias haveria repressão por parte da policia. Essa postura causou revolta nos indígenas e os levou à decidir por impedir a entrada dos turistas.

Por essa razão a força policial foi mobilizada e, após várias incursões nas aldeias, inclusive com a presença de servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), aconteceu o confronto na aldeia Vista Alegre.

A terra indígena Torá/Mundurucu do rio Marmelos é uma das 170 no Amazonas que se encontram sem demarcação por parte do Governo Federal. Ali se localizam as aldeias São Raimundo, Pau Queimado, Vista Alegre, São José, Baixo Grande, Vera Cruz e Laguinho, onde vivem mais de 400 indígenas Torá, Mundurucu e Mura.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que 28 policiais, entre civis e militares, se dirigiram de barco até o Rio Marmelos após receberem denúncia de que ribeirinhos e indígenas estavam impedindo a passagem de embarcação ocupada por pessoas que pretendem desenvolver projeto em uma aldeia indígena Tenharim, voltado ao turismo e a à pesca esportiva. Antes de chegarem à entrada da aldeia Tenharim, ainda no rio, os policiais foram recebidos de maneira hostil e violenta pelos ribeirinhos e por indígenas pertencentes às etnias Mundurucu e Torá.

Segundo ainda a assessoria, o delegado Teotônio Rego, titular da DIP de Humaitá, informou, que os policiais chegaram a algemar dois homens e esclareceu que não houve qualquer tipo de atitude no sentido de mantê-los sob o sol durante várias horas.

Ainda conforme o delegado, por meio da assessoria, os policiais recuaram, no intuito de evitar uma confusão generalizada e para proteger as pessoas envolvidas no projeto e os próprios servidores da polícia. Os delegados titular e adjunto, Marcus Rezende, estão analisando as condutas verificadas na situação.

*Matéria atualizada às 8h55, do dia 16 de julho, para acréscimo de posicionamento da Polícia Civil

http://new.d24am.com/amazonia/povos/indigenas-dizem-sofrido-agressao-po…

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