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Indígenas discutem violência doméstica e sexual

Folha de Boa Vista - http://www.folhabv.com.br/fbv/noticia.php?id=71383
02 de Out de 2009

Durante o primeiro dia da Oficina em Atenção à Violência Doméstica e Sexual Contra Mulheres, Crianças e Adolescentes Indígenas, lideranças de comunidades do Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste de Roraima (DSEI), de forma educativa, conceituaram o problema. Trinta pessoas, entre indígenas e técnicos da área da saúde, participam das discussões.

A oficina ocorre no auditório da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e segue até hoje, quando deve ser elaborado um plano específico de prevenção de violência para as comunidades do DSEI.

Apesar de não existir dados estatísticos de mulheres e adolescentes indígenas vítimas de agressões, a assessora da Área Técnica de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde (MS), Claudia Araújo de Lima, disse que as violências físicas, sexuais e psicológicas são os casos mais comuns em todo o País.

"Um último levantamento feito baseado nas fichas de notificações, preenchidas por médicos durante o atendimento a essas pessoas vítimas de algum tipo de agressão, constatamos que na maioria tinha sido de agressão corporal, e em segundo lugar, de abusos sexuais e estupros", afirmou.

Segundo Maria Betânia, técnica da Gerência do Núcleo de Saúde Indígena da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), está em projeto um banco de dados para armazenar os dados sobre o número de mulheres e crianças indígenas que tenha sofrido agressões.

"Em breve teremos um panorama nacional estatístico dessas vítimas de algum tipo de violência, para, a partir daí, se ter a noção exata de quantas pessoas estão sendo alvo dessa violência", disse Maria Betânia.

Ainda conforme Claudia, as mulheres casadas, maiores de 20 anos e que têm filhos são o perfil das vítimas de agressões físicas e sexuais no Brasil. "Percebemos que a agressão física acontece em todas as classes sociais, e é um mito se pensar que é uma realidade apenas em classes mais baixas", complementou.

Durante a palestra, Claudia destacou aos participantes a importância de entender o que é violência e ter coragem de denunciar. "A omissão é o maior problema para as autoridades que buscam amenizar esse problema", disse, ao acrescentar que os casos de omissões são de pessoas de classe média.

Somente no ano de 2007, dados do MS, indicam que 214.797 mulheres, maiores de dez anos de idade, foram vítimas de agressões físicas e psicológicas.

As consequências são dores crônicas, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), HIV, gravidez indesejada, aborto, doença pélvica inflamatória e distúrbios gastrintestinais.

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