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Autor: Daniel Vinagre
04 de Fev de 2026
Sem respostas sobre a revogação do Decreto no 12.600/2025, indígenas fecham via de acesso e aeroporto de Santarém; Reuniões mediadas pelo MPF seguem durante a noite
A mobilização indígena em Santarém, no oeste do Pará, segue ativa após horas de reuniões sem um encaminhamento concreto por parte do governo federal. A via de acesso ao Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca foi bloqueada por volta das 14h30 da tarde de hoje (04/02) e permanece fechada enquanto representantes de ministérios seguem na cidade participando de diálogos com as lideranças indígenas, todo o processo segue sendo acompanhado de perto pelo Ministério Público Federal (MPF).
Por volta das 21h20, indígenas que participam da mobilização também ocuparam o Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca.
Segundo o movimento, já são cerca de 07 horas de reuniões com representantes do governo federal, entre eles Marcelo Fragoso, chefe de gabinete da Secretaria-Geral da Presidência (SGPR), Marcos Kaingang, secretário nacional de direitos territoriais do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e Pagu Rodrigues, diretora de direitos humanos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). Segundo as lideranças, a demora se dá porque envolve temas "sensíveis e de interesse direto dos povos do Baixo Tapajós".
O presidente do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA), Lukas Tupinambá, afirmou que a mobilização também busca combater informações falsas que circulam nas redes sociais. "Já são sete horas de reuniões e diálogos diretamente com representantes do governo federal. Estamos vindo a público para desmentir boatos de que estaríamos restringindo a saída de servidores do governo federal. O que está em pauta são temas delicados e de interesse da nossa população. A consulta prévia, inclusive, precisa ser bem informada, e é isso que estamos tratando aqui, com a presença de caciques, cacicas e demais lideranças", declarou.
De acordo com as lideranças, os representantes do governo permanecem em Santarém participando de reuniões mediadas pelo Ministério Público Federal. Até o momento, não houve definição sobre a revogação do decreto nem apresentação de uma proposta considerada satisfatória pelo movimento.
A liderança indígena Auricélia Arapiun destacou que a manifestação é uma estratégia para pressionar órgãos que ainda não se dispuseram ao diálogo. "Essa manifestação é uma tentativa de chamar a atenção do Ministério de Portos e Aeroportos, que até agora não se posicionou e não veio conversar conosco. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes também não. Aqui estamos dialogando com o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai e a Secretaria-Geral da Presidência, que têm mantido conversa durante toda a tarde e articulado com os ministérios em Brasília. Por isso seguimos em uma reunião extensa, ainda sem hora para terminar", afirmou.
As lideranças reforçam que o fechamento da via de acesso e do aeroporto será mantido enquanto não houver um retorno formal do governo federal.
Segundo o movimento, a mobilização não se encerra até que haja uma resposta concreta sobre a revogação do decreto e garantias de que qualquer empreendimento no rio Tapajós será precedido de consulta aos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais da região.
As reuniões com representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) seguem em andamento na ocupação localizada na entrada da empresa Cargill.
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