Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
05 de Out de 2005
Um grupo de dez indígenas da comunidade do Taxi 2, na região do Surumu, no município de Pacaraima, que fica dentro da polêmica terra indígena Raposa/ Serra do Sol, procurou na tarde de ontem a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RR para denunciar e pedir punição dos agentes da Polícia Federal envolvidos na ação ocorrida dentro comunidade no último dia 27 de setembro.
A ação dos policiais, considerada excessiva pelos denunciantes, resultou no ferimento do segundo tuxaua da maloca, Delton da Silva Melo, que levou um tiro de borracha na perna direita disparado pelos agentes. O grupo denunciou também que a professora Perla da Silva, grávida de sete meses, foi vítima de agressão ao empurrarem-na, ficando sob a mira de arma de fogo na cabeça.
Para reforçar a denúncia, a presidente em exercício da Alidcirr (Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima), Jucerlânia de Souza Lima, disse que o mesmo grupo já procurou o Ministério Público Federal e Polícia Federal com o mesmo objetivo. "Achamos que essas ações são uma forma de retaliação para quem não aceita a homologação da forma como foi feita", declarou.
OAB - O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Alex Ladislau, atendeu a todos e tomou o depoimento do segundo tuxaua e da professora agredidos, ficando como testemunhas os demais denunciantes. Ele informou ainda que iria juntar a documentação necessária e se comprovado abuso de autoridade por parte dos policias, a comissão iria representar criminalmente na Justiça Federal contra eles. Outra medida será solicitar à superintendência da PF os nomes dos policiais envolvidos na ação do dia 27.
INQUERÍTO - A PF abriu inquérito para apurar as circunstâncias em que o segundo tuxaua da aldeia Taxi 2, Delton da Silva Melo, foi atingido. Na versão da PF, o tuxaua avançou contra um delegado com uma pedra na mão e o "outro policial agiu em legítima defesa de terceiros, atirando uma bala de borracha nos membros inferiores, como estabelece o procedimento".
Em reportagem anterior, o superintendente da Polícia Federal, José Francisco Mallmann, disse que o caso da professora será investigado no inquérito já aberto para apurar as circunstâncias em que Delton Melo foi ferido.
Ele disse que o policial responsável pela agressão contra a professora afirmou que o empurrão foi necessário para defender-se da mulher grávida. "Ela o desacatou e partiu pra cima dele. Ela usou a gravidez para peitar o agente", afirmou o superintendente.
Segundo Mallmann, se ficar comprovado o desvio de conduta do policial, cujo nome foi omitido, o caso vai para a Corregedoria para abertura de processo administrativo disciplinar. No processo penal, pode haver acusação por abuso de autoridade e agressão física. (R.L.)
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