A Crítica - http://acritica.uol.com.br
Autor: Elaíze Farias
09 de Jul de 2011
Famílias indígenas da aldeia Beija-Flor, no município de Rio Preto da Eva (a 57,50 quilômetros de Manaus) afirmam que um grupo de invasores desmatou 60 metros de comprimento da área onde vivem. O local é demarcado e homologado pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
O grupo de invasores também estaria ameaçando desmatar a área verde vizinha da aldeia e poluir as proximidades da principal fonte de abastecimento de água das famílias, o igarapé do Seixo, onde fica localizada uma gruta com olho d´água.
O tuxaua de Beija-Flor, Fausto de Andrade, afirma que a invasão começou no início desta semana e se intensificou nesta sexta-feira (08), quando não-indígenas foram flagrados desmatando a aldeia.
Andrade disse que a situação se agravou com a chegada de várias famílias que alegam ser beneficiárias por um loteamento realizado pela prefeitura de Rio Preto da Eva, na divisa com a aldeia.
"Eles chegaram e disseram que têm autorização da prefeitura. Passaram trator e entraram na nossa área e ainda derrubaram as placas da Funai", disse Andrade. Conforme o tuxaua, a aldeia Beija-Flor, tem 42 hectares. Nela vivem 80 famílias.
"A gente botou eles para fora, mas se essa situação não for controlada pode ocorrer conflito porque os invasores aparecem de vez em quando. Não podemos deixar eles destruírem o igarapé porque é de onde a gente tira nosso sustento, onde a gente pesca, toma banho e tira água para beber", disse ele.
Vigilância
Após ser contatado pelo portal acritica.com o secretario de meio ambiente de Rio Preto da Eva, Reinaldo Farrah, disse que neste sábado (09) um grupo de seis policiais da Guarda Municipal iria ser enviado para vigiar a área.
Conforme Farrah, a invasão da área e o desmatamento já havia sido identificada pela Prefeitura. Segundo ele, medidas foram tomadas para expulsar os invasores do local.
Farrah confirmou que a prefeitura está planejando realizar um loteamento nas imediações mas que alguns "grileiros" estariam se aproveitando da situação para ocupar área verde e a própria aldeia indígena.
Segundo Farrah, o loteamento vai cumprir a legislação ambiental e será construído distante 30 metros da área verde.
"A guarda municipal está fazendo ronda para não deixar os invasores tomar conta", disse o secretário.
Loteamento
O prefeito de Rio Preto da Eva, Fullvio Pinto, afirmou ao portal a construção do loteamento foi suspensa porque o planejamento será revisto para atender ao crescimento da demanda.
Segundo Pinto, as casas serão doadas "a famílias carentes", mas ele admitiu que muitas pessoas que estão reivindicando o benefício "sem não precisar dele".
"Ainda estamos na fase da planta. Inicialmente seria para 140 famílias, mas tem muita gente se aproveitando, fazendo parte desse grupo de invasores. Por isso vamos fazer entrevista com cada uma dessas famílias, para saber onde vivem e se estão precisando das casas", disse.
O prefeito disse que não sabia da invasão da terra indígena e da destruição da fonte de água do igarapé do Seixo relatadas pelo tuxaia de Beija-Flor. Ao ser informado pelo portal, ele assegurou que iria mandar policiais inspecionar o local.
O coordenador da Funai em Manaus, Odiney Hayden, afirmou que nesta segunda-feira (11) enviará uma equipe de funcionários para fazer uma vistoria na área e conversar com o prefeito para "pedir um apoio aos indígenas".
Regularização
A aldeia Beija-Flor foi homologada há dois anos pela Funai, após 18 anos de luta dos indígenas. A regularização aconteceu por meio de decreto assinado pelo prefeito Fullvio Pinto. No local, vivem indígenas de diferentes etnias: sateré-mawé, tikuna, dessano, tuiuka, arara, mura, marubo e maioruna.
A aldeia está localizada em um terreno que havia pertencido ao norte-americano Richard Melnyk. No local, as atuais famílias indígenas trabalhavam para Melnyk, fazendo artesanato. Após a morte do norte-americano, a terra foi alvo de disputa por pessoas que se diziam procuradores de Melnyk e outras famílias que passaram a ocupar o local.
A situação só foi resolvida após várias tentativas de regularizar a área e a prefeitura assinar decreto desapropriando o terreno em favor dos indígenas.
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