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Indígenas aprimoram redes de contatos em feira de Manaus

BNC Amazonas - https://bncamazonas.com.br
Autor: Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas
09 de Jan de 2026

Guiarra Kapó, especialista no trançado de miçanga de vidro, traz a ténica e a tradição de seus ancestrais

A experiência comercial e trocas de materiais e técnicas artísticas aperfeiçoaram-se entre os indígenas que participaram da Feira de Arte e Economia Criativa, que se estendeu desde a quadra junina até ontem (6/1), Dia de Reis, no Largo de São Sebastião.

O evento, patrocinado pelo governo estadual, acolheu o artesanato, a pintura, a estamparia e a medicina tradicional de povos indígenas de estados da Amazônia brasileira.

Os artistas ocuparam barracas na rua José Clemente, ao lado do Teatro Amazonas, no mesmo espaço destinado a comidas rápidas regionais.
Vidraçaria

Guiarra Kapó é especialista no trançado de miçanga de vidro. Das suas mãos brotam colares, pulseiras e brincos, cuja beleza chama a atenção dos clientes. Pertencente ao povo Kapó, com território demarcado no alto rio Turiá, no Maranhã, Guiarra disse que aprendeu essa arte com a mãe e tias.

"É uma tradição que vem de muitas gerações do nosso povo", explicou. Ela acentuou que a feira, além de expor artesanato à venda, é um lugar de troca de experiências entre artistas de vários povos.
"No próximo ano estarei aqui", prometeu.

Estamparia
Robério Kambeba, serigrafista e empresário, disse que vendeu bastante camisetas com estampas de representação de mitologias indígenas.

A feira é, segundo ele, o medidor da avaliação do público. "As pessoas avaliam o material, perguntam sobre o significado da estampa e dão sugestões", disse.

Kambeba já participou de feiras no Rio de Janeiro e São Paulo, onde as vendas são excelentes, mas percebeu, com a feira, que Manaus vem se tornando um grande mercado para produtos da cultura indígena.

Ele anunciou, inclusive, que vai pedir autorização ao seu cacique, Djari Kambeba, para instalar uma loja de produtos do seu em Manaus. Os kambeba vivem em comunidade do município de São Paulo de Olivença, no alto Solimões.

Pintura corporal
O artista gráfico corporal José Tikuna afirmou que fez dezenas de pinturas com motivos étnicos. Ele tem um mostruário de símbolos gráficos do seu povo, mas, também, pinta os das culturas de outros parentes.

Ele revelou que antes pintava somente com tinta extraída do jenipapo, mas passou a misturá-lo com pó de carvão, assim como fazem os xavantes, para dar mais volume e consistência nos desenhos.
"Antes era comum a tinta borrar nas margens do desenho, mas, com o carvão, a obra fica muito bem definida", afirmou. As pinturas mais solicitadas são as da cobra jiboia, animal místicos em várias culturas originárias.

Ticuna também é percursionista, toca violão e canta.

Feito na hora
Quem passou pela barraca da artista Joice Baré, pertencente ao povo Baré, habitante de São Gabriel da Cachoeira, pôde assisti-la tecendo pulseira e colares com fibras de tucum, palmeira de mil usos para os indígenas.

Ela disse que é servidora pública na cidade onde mora, mas se dedica as artes dos seu povo há trinta anos. As pulseiras, brincos e gargantilhas podem ser feitas apenas de fibra ou trançadas com sementes vegetais.

A veia artística ela herdou da mãe e da avó.

Para ela, a feira foi uma oportunidade para conhecer as técnicas e materiais usados no artesanato de outros povos.

Garrafadas
Na banca do Yuri Magdo Silva, nascido na comunidade Sateré de Molongolotuba, no Andira, município de Barreirinha, a marê, cachaça artesanal indígena, atraiu atenção dos visitantes da feira.

"É o produto que mais sai", confirma Yuri. Na sua banca estavam expostos 23 produtos da medicina indígena, para combater diversas doenças, entre elas, diabetes, cansaço no peito, dores nos músculos e nos ossos.

Ele disse que é pajé há trinta anos e, além de fazer as suas garrafadas, também vende as de pajés de outros povos. Yuri, inclusive, tem uma rádio na internet, por meio da qual divulga seus produtos.

"A feira também é uma oportunidade para interagirmos com os parentes de várias regiões do País", assentiu.

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