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Índice de desmatamento baliza preço de cerveja Colorado

Valor Econômico - https://valor.globo.com/empresas/noticia
Autor: CHIARETTI, Daniela
19 de out de 2020

Índice de desmatamento baliza preço de cerveja Colorado
Amazônica é feita de farinha de babaçu, pacová e limão

Por Daniela Chiaretti - De São Paulo

O desmatamento da Amazônia inspirou um índice de preços que varia conforme o ritmo da degradação. O Índice de Preços da Amazônia, conhecido pela sigla Irpa, foi desenvolvido para aumentar a consciência do consumidor para o valor da biodiversidade na floresta. A métrica foi criada para a cerveja Colorado Amazônica, à base de trigo e babaçu, pacová e casca de limão. O Irpa foi criado especialmente para a Colorado Amazônica pelo engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas, uma rede colaborativa formada por universidades, ongs e empresas de tecnologia.
"O princípio é o seguinte: está se usando ativos da Amazônia. Se a floresta estiver conservada, os recursos estão disponíveis. Se for destruída, está se tornando escasso o ativo que se quer usar e, portanto, terá que ficar mais caro", explica. "Depois pensamos em aumentar o preço de um produto relacionado à Amazônia, se a floresta está sendo mais desmatada", segue. "A ideia é chamar a atenção para o valor da conservação", continua.
O Irpa nasceu "com a preocupação de se capturar o que acontece na floresta", segue ele. O cálculo é feito tomando-se a média do desmatamento da Amazônia nas últimas quatro semanas e comparando com a média das mesmas quatro semanas em 2019 e 2018. A base da métrica é feita sobre os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que atualiza os números de desmatamento a cada sexta-feira. O preço da Colorado Amazônica é reajustado toda quinta-feira. A Cervejaria Colorado, de 1996, é de Ribeirão Preto. Em 2015 foi comprada pela Ambev (Companhia de Bebidas das Américas).
A cerveja Colorado Amazônica é uma produção única de uma Witbier, também conhecida como Belgian White. É produzida com farinha de babaçu, pacová e casca de limão e foi lançada em 3 de setembro, dia da Amazônia, com comercialização online. A farinha de babaçu é produzida por comunidades extrativistas no Pará e toda a venda da cerveja vem sendo doada para a Rede de Cantinas da Terra do Meio formada por ribeirinhos, indígenas e agricultores familiares. A edição única da Colorado Amazônica foi de 13 mil latas. "Queremos ajudar a manter vivo o berço da biodiversidade brasileira", diz o material de divulgação à imprensa da cerveja. "Assumimos um compromisso com a conservação da biodiversidade e estamos ao lado daqueles que respeitam e ajudam a manter a Amazônia em pé", diz Guilherme Poyares, gerente de marketing da Colorado. "Nos cercamos de parceiros sérios que vivem e cuidam da floresta todos os dias e estamos muito felizes em fomentar essa conversa junto ao público".
Poyares não revela o desempenho de vendas da Colorado Amazônica. Diz que o público é formado por pessoas "que têm predisposição a gostar do tema e que valorizam as coisas do Brasil". Diz, ainda, que o lançamento da cerveja e o mecanismo de preço relacionado aos índices de desmatamento teve "grande repercussão." Com o lançamento da Colorado Amazônica, a empresa se tornou membro da Origens Brasil, uma rede que conecta empresas e cadeias produtivas sustentáveis em áreas prioritárias de conservação na Amazônia. O selo Origens Brasil busca tornar viáveis negócios em prol da floresta em pé garantindo a origem, rastreabilidade, transparência e promovendo o comércio ético.
A iniciativa foi lançada em 2016 e desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e do Instituto SocioAmbiental (Isa). O selo valoriza as populações locais e os territórios de diversidade socioambiental e está hoje em produtos tão diversos quanto pimenta baniwa com açaí, óleo de copaíba, alpargatas caiapó, pães Wickbold, borrachas Mercure, e no projeto Caras do Brasil do Pão de Açúcar. "Queremos mudar o paradigma na Amazônia de como os negócios são feitos", diz Luiz Brasi Filho, coordenador de mercado da Origens Brasil. "Com a Colorado Amazônica, a empresa reforça seu compromisso de longo prazo com os povos da floresta, de forma ética e transparente", continua. "A empresa compra este ingrediente, a farinha de babaçu, das comunidades a um preço justo. Com o Irpa, o consumidor reflete sobre biodiversidade e o desmatamento", segue. Cerca de 600 famílias da Terra do Meio vêm sendo beneficiadas pela iniciativa da Colorado.
"Precisamos valorizar os guardiões da nossa floresta. A melhor forma de manter a floresta em pé é consumir produtos do extrativismo brasileiro gerando renda às comunidades", diz Brasi Filho. O Irpa foi desenvolvido para a Colorado, mas pode ser replicado. "Criei uma métrica que pode ser usada em vários setores com produtos relacionados à Amazônia", diz Azevedo.

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