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Índias querem se integrar à economia Economia

Jornal do Commercio-Manaus-AM
Autor: Cândida Osório
31 de Out de 2003

As mulheres indígenas do Amazonas superam o preconceito formando associações econômicas organizadas. São aproximadamente dez grupos comercializando a própria produção.

Sem um sistema de logística eficiente, o crescimento do negócio esbarra na dificuldade de escoamento dos produtos.

A burocracia e a dificuldade em conseguir matéria-prima são outros gargalos na comercialização dos produtos, segundo Maria Miquelina Machado Tucano, secretária-geral do Departamento de Mulheres da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).

Venda de artefatos

Para discutir interesses em comum, assim como reivindicar os direitos garantidos na Constituição Federal (educação diferenciada, ensino bilingüe, saúde, auto-sustentação e outros), as mulheres indígenas ficarão reunidas até o dia 1o de novembro, das 7h às 19h, no Hotel Brasil, na avenida Getúlio Vargas.

Durante as palestras, as mulheres estarão realizando uma exposição de seus produtos que vão desde acessórios ornamentais para o corpo (colares, brincos, anéis, pulseiras) a utensílios domésticos, cestaria e roupas. Os preços variam de R$ 1 a R$ 100.

Uma das queixas das mulheres indígenas é a apropriação indevida de seus conhecimentos sobre técnicas e matérias-primas usadas nos utensílios.

Falta diagnóstico

Rosemere Vieira Teles Arapasso, coordenadora do Departamento de Mulheres da Coiab, explicou que apesar de estruturadas, as associações ainda não têm um diagnóstico preciso sobre o volume de negócios e participação da mão-de-obra empregada.

A Coiab está realizando um levantamento das comunidades amazônicas e, no máximo em 2004, deverá ter em mãos o quantitativo de mulheres indígenas na região.
Miquelina destacou que as mulheres estão avançando, mas ainda falta muito para alcançar 100% de produtividade e comercialização. "Estamos nos articulando, programando eventos, exposições, mas não está sendo fácil gerar renda", comentou.

Produção sustentável

As preocupações das mulheres indígenas são iguais às de outros povos. Elas também são responsáveis pela sustentação econômica da família nas questões de educação e saúde, além de associar a necessidade de um trabalho técnico (produção de artesanato, por exemplo) à conscientização de produzir de forma sustentável .

Entidades participantes

Participam do movimento de mulheres indígenas a AMISM (Associação das Mulheres Indígenas Sateré-Mawé), Amarn (Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro Residentes em Manaus), Umai (União de Mulheres Artesãs Indígenas do Médio Amazonas), Asiba (Associação Indígena de Barcelos) e Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro).

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