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ÍNDIAS NÃO CONSEGUEM TIRAR PASSAPORTE PARA IR À ARGENTINA

Mercolis Alexandre Ernandes-Por e-mail
Autor: Mercolis Alexandre Ernandes
27 de Out de 2005

Essa semana duas jovens índígenas, Graciela Pereira dos Santos, Guarani, 19 anos, e Micheli Alves Machado, Kaiowá, 19, solicitaram a emissão do Passaporte para se deslocarem à Mar Del Plata, na Argentina, por ocasião do IIIo Cumbre de Los Pueblos de América. Elas representarão os jovens indígenas de Dourados e apresentarão um vídeo- documentário sobre o processo de recuperação dos territórios tradicionais - TEKOHA, e sobre a desnutrição que afligiu as reservas de Dourados.

Para que possam viajar essas duas jovens ESTÃO PASSANDO por um processo humilhante, que ainda não teve fim. Primeiro, foram orientadas que para retirar seus passaportes deveriam portar documentação civil branca¸ pois a Carteira de Identidade emitida pela FUNAI, não as autoriza a isso, ou um Documento emitido pelo Presidente da FUNAI em Brasília, autorizando-as, a requerer o passaporte. O desconhecimento da legislação indígena, pelos órgãos competentes, ou a não clareza da mesma, dificulta o processo, visto que, as informações chocam-se, ou não procedem. A indignação dessas jovens é tamanha que chegam a afirmar: "Pra que existe carteira de identidade indígena então, se quando quero usar não posso? Tenho que deixar de ser índia, e me tornar branca pra ter direito de viajar?", afirma Micheli Alves Machado. Procurado para emitir um documento de autorização, Izaque de Souza, chefe do Posto da FUNAI dentro da Reserva, alegou que não dependia dele esse tipo de autorização. No núcleo da FUNAI em Dourados, Sebastião Martins, chefe, as informou que era um processo longo, demorado, pois teria que passar por várias instâncias de poder, até chegar em Brasília.

Todos nós brasileiros, somos conscientes da burocracia que nos cerca, porém existe algo chamado bom senso, que permeia qualquer situação e nos permite analisar casos e casos. A importância do CUMBRE DE LOS PUEBLOS, para a autonomia dos povos indígenas, bem como para o fortalecimento étnico, e o contato com outros povos indígenas da América Latina, mostra a necessidade de sermos representados por duas jovens indígenas neste evento.

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