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Índias abrem futebol com estilo profissional e chuteiras fluorescentes

Folha de São Paulo (São Paulo - SP) - www.folha.uol.com.br
Autor: Juliana Coissi
24 de out de 2015

O treinador das mamaindê, de Mato Grosso, está desconsolado à beira do campo. Tenta aos gritos reorganizar o time de camisa azul celeste e calções brancos, mas as gaviões, do Pará, estavam muito superiores em campo. Às 11h, perto do fim do jogo, o placar já marcava dez gols para o time paraense -terminou 12 a 0.

As índias de seis etnias brasileiras abriram neste sábado (24) o terceiro dia de competições da primeira fase de futebol dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. O torneio internacional, que acontece pela primeira vez, reúnem 1.700 atletas do Brasil e de outros 23 países na capital de Tocantins, em Palmas.

Vistas de longe do campo, no estádio Nilton Santos, mais parecem meninas de qualquer time brasileiro: meiões brancos, chuteiras de cores fluorescentes e cabelos longos presos.

Mas é se aproximar das atletas que as raízes de seus povos se destacam: braços e rostos estão adornados com pinturas indígenas. No uniforme semelhante ao do Flamengo, escolhido pelas gaviões, haviam brasões com símbolos indígenas.

Ao fim da partida, as gaviões fizeram o círculo em campo para fazer uma oração em agradecimento à vitória. A prece era em português: "Jesus Cristo nos guarde debaixo de suas asas, em nome de Jesus", citou umas das líderes -parte da comunidade, de Marabá, é evangélica, da Assembleia de Deus.

Ao sair do campo, porém, as raízes indígenas foram lembradas, e entoaram um grito típico da etnia, deixando o campo em marcha.

Atacante de 15 anos e autora de quatro gols, Wytyre segurava as chuteiras verde-limão ao fim da partida. "Estamos tranquilas, o povo já considera a gente profissional", disse a vascaína, fã do zagueiro Rodrigo.

Ela joga futebol há cinco anos, e explica, com ar de confiança, que o time chegou forte porque treina todos os dias, de segunda a sexta, pelo menos uma hora por dia.

As gaviões se sagraram campeãs no futebol feminino nos últimos Jogos Nacionais, em Cuiabá, em 2013.

JOGO INTERNACIONAL

Logo depois, entraram em campo os atletas do futebol masculino para o primeiro jogo internacional do dia. Antes de pisar no campo, os kuikuro, do Alto Xingu, em Mato Grosso, de uniformes laranjas, urucum nos cabelos e corte de cabelo tigela típico da etnia, fizeram cantos típicos. Os peruanos chegaram em seguida, com uniforme grafite e short vermelho. O jogo terminou 1 a 1.

Do lado brasileiro, orientações do técnico eram dadas na língua típica. Dos peruanos, eram em espanhol.

O futebol nos Jogos Mundiais é dividido em dois tempos de 30 minutos cada, com um intervalo de cinco minutos. Na primeira fase do futebol masculino, serão 11 grupos de três times, que competem entre si, e 9 grupos do feminino.

Além do futebol, na tarde deste sábado (24) começam as disputas de modalidades típicas dos indígenas, como corrida de toras, arco e flecha e arremesso de lança. Times de oito países competem ainda no futebol masculino, e seis no feminino. Desde quinta-feira (24), já jogaram países como Canadá e Argentina.

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/10/1698131-indias-abrem-futeb…

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