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Incompetência e maldade no mar do Xaraés

Correio do Estado-Campo Grande-MS
Autor: Valfrido Medeiros Chaves*
17 de jul de 2003

A incompetência e a maldade deram- se as mãos para conspirar contra a sociedade sulmatogrossense e, mais especificamente, contra o povo Terena e a comunidade pantaneira de Aquidauana e Miranda. Está em andamento um processo que visa desalojar, sem indenização, os pantaneiros daquelas regiões, para nelas alojar os índios Terena. É o que se chama descobrir um santo, sem cobrir o outro. O povo Terena tem tradição agrícola e o Pantanal não tem terras agricultáveis, a não ser cordilheiras e caápões de mato que têm de ser preservados. São áreas empastadas, não impactadas pelo gado e pela reduzida população que lá se aloja: menos de uma família por cada mil hectares. O leviano projeto fala em "manter a tradição da caça" entre os índios, como se isso fosse possível por mais de uns cinco anos, tal como ocorria já com os Tupinambás, que migravam pelo imenso território brasileiro, pelo esgotamento que impunham às faunas locais. Além de desalojar uma cultura preservacionista, a pantaneira, graças à qual o Pantanal é uma das poucas vitrinas brasileiras para serem exibidas, o alienado projeto condenaria nossos irmãos Terena a serem insultados por sacolões até a deterioração de suas qualidades humanas e dignidade: o paternalismo e o assistencialismo destrói o homem de qualquer etnia. Quem tem vocação e desejo para o trabalho na terra, precisa de áreas férteis, agricultáveis e acessíveis, e não campos inundáveis, fracos e que apenas a pecuária extensiva os torna aproveitáveis. Além do mais, brasileiros que fixaram fronteira, adquiriram terras sob a chancela da lei e do Estado, não podem se transformar em bodes expiatórios da dívida que toda a sociedade brasileira tem com os povos indígenas. Não se promove justiça com injustiça., leviandade, maldade e ideologia. Nossos pioneiros não podem se injustiçados e os Terenas não devem se enganados: eles devem ter acesso a terras férteis e agricultáveis onde possam ficar livres de sacolões e prosperarem. Nossa sociedade e nossas autoridades tem que ter a sensibilidade, a dignidade de tornar isso possível sem insultos e injustiças a quem só sabe trabalhar e viver para a família, como é a grande maioria dos brasileiros. Repetindo: não se promove justiça com injustiça e desconhecimento da realidade que, neste momento, conspiram contra pantaneiros e Terenas. Contamos com a responsabilidade, coragem e conhecimento de causa de nossas autoridades.

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