OESP, Metropolo, p. C7
13 de Nov de 2009
Incidência de raios no País vai aumentar
Segundo pesquisa, relâmpagos trarão mais falhas de energia
Rodrigo Brancatelli
Apesar de o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) descartar desde anteontem que a queda de energia do sistema de Itaipu tenha sido causada por raios, essa explicação deverá ser cada vez mais utilizada nas panes elétricas no País. Segundo uma pesquisa inédita do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do próprio Inpe, os Estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais terão quase o dobro de desligamentos de energia causados por raios até o fim do século.
O estudo liga dois outros levantamentos - o primeiro mostra que mais de 70% dos desligamentos são causados por raios, e o segundo aponta aumento na incidência de raios em todo o País causado pelo aquecimento global. No Norte, por exemplo, o número de raios deve subir 150%, enquanto em boa parte do Nordeste e do Sudeste o crescimento deve atingir 90%. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo trabalho, publicado no início do mês no livro Lightning in the Tropics: From a Source of Fire to a Monitoring System of Climatic Changes, a projeção não é apenas um chute - observações feitas por satélite já indicam um aumento de 18 % na incidência de descargas atmosféricas nos últimos dez anos.
"Com as mudanças climáticas, é natural que a incidência de raios aumente. É um fenômeno que já aparece nas estatísticas", diz Osmar Pinto Junior, pesquisador do Inpe e considerado a maior autoridade em raios do País. No Estado de São Paulo, por exemplo, houve aumento de 30% nas descargas elétricas de 2007 para 2008. "O crescimento é causado principalmente pelo aumento da temperatura, mas não é única mudança climática que está sendo observada. Assistimos cada vez mais a tempestades extremas. Em 13 de janeiro deste ano, por exemplo, na cidade de Osasco, ocorreram 400 raios em 20 minutos. Isso causa desgaste em toda rede, seja de energia ou de telefonia. E isso afeta a vida útil do sistema."
O Inpe informou ontem que está preparando um relatório técnico para o Operador Nacional do Sistema (ONS) sobre as condições atmosféricas na noite em que ocorreu o apagão. Os técnicos do Elat são categóricos em afirmar que as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a cerca de 30 km da subestação e cerca de 10 km de uma das quatro linhas de Furnas.
A estimativa de aumento porcentual da incidência de raios no País leva em conta um aquecimento global médio de 4oC. Atualmente, por sua extensão territorial e proximidade ao equador geográfico, o Brasil já é campeão mundial de raios - atingido anualmente por cerca de 70 milhões de descargas atmosféricas, ou quase três raios por segundo. "Não é um problema só de apagão - cerca de cem pessoas morrem anualmente no País atingidas por raios", diz Osmar Pinto Junior. "Claro que isso é fatalidade. Já as panes elétricas podem ser minimizadas com investimentos."
OESP, 13/11/2009, Metropolo, p. C7
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