CB, Cidades, p. 17
23 de Mai de 2005
Incêndio no Jardim Botânico
Fogo consumiu 500 hectares de cerrado da reserva ambiental e levou mais de sete horas para ser controlado. Corpo de Bombeiros lançará campanha preventiva semana que vem
Da Ponte JK, a fumaça era visível. Um incêndio castigou a reserva ambiental do Jardim Botânico de Brasília e foram necessárias cinco equipes do Corpo de Bombeiros e da Brigada de Incêndio para controlar as labaredas que destruíram mais de 500 hectares do cerrado. O fogo foi detectado por volta das 12h20 e depois de sete horas de trabalho focos de incêndio ainda eram controlados. Foi o primeiro incêndio, de grande proporção, registrado este ano em área de reserva ambiental.
Bombeiros e a direção do Jardim Botânico suspeitam que um morador das chácaras vizinhas, na QI 17, tenha provocado o acidente ao queimar montes de lixo. Uma perícia será feita hoje para verificar a causa. A direção do Jardim Botânico pediu ajuda do Corpo de Bombeiros, às 12h30, na operação de combate ao fogo. Ao todo, 22 homens trabalharam na operação, com abafadores, bomba-costal - mochila com 20 litros de água - e carros-pipa. Até as 20h, os últimos focos de incêndio eram controlados. O vento dificultou o trabalho ao espalhar as chamas que começaram na altura da QI 17, na divisa com o parque, e se alastraram para dentro da reserva.
À medida que o fogo queimava a vegetação rasteira, os carros pipa conseguiam entrar em áreas isoladas. "É nesse momento que consideramos o local propício para a entrada dos carros. Assim fica mais fácil, com a água perto dos focos", explicou sargento Mário Beltrão, do 4o Batalhão Florestal do Corpo de Bombeiros, ao detalhar as estratégias da ação.
Medição com GPS
Os bombeiros não encontraram animais mortos. O levantamento deverá ser feito com a perícia que avalia os danos ambientais, assim como a medição exata do cerrado destruído pelo incêndio. Aparelhos GPS ajudam a delimitara área atingida. O laudo deve ficar pronto em 15 dias. "A proporção correta só com análises, mas certamente houve grandes perdas", avaliou Ana Júlia Salles, diretora do Jardim Botânico.
Ela ressalta que a reserva tem 300 espécies de aves, 45 tipos de mamíferos, 17 de cobras e 215 de abelhas. Entre os animais, destacam-se veados, lobos-guará, tatus, micos-estrela e tamanduás. "A flora também é rica. Possuímos 25% das espécies do bioma do cerrado. E 40% das espécies da flora do Distrito Federal estão preservadas em nossas áreas. Parte disso pode ter sido queimado", lamenta a diretora. Segundo ela, o incêndio de ontem foi um dos maiores dos últimos sete anos. Em 1997, cerca de sete hectares, dos cinco mil hectares do Jardim Botânico, foram destruídos pelo fogo.
A operação Verde Vivo, do Corpo de Bombeiros, que orienta a população contra o risco de incêndios deve começar na próxima semana. Segundo a tenente Daniela Ferreira, do 4o Batalhão Florestal do Corpo de Bombeiros, em 2005 a campanha deve ser intensificada para evitar acidentes.
"Como tivemos muita chuva, o mato cresceu e há muito material combustível no cerrado. O risco de incêndio será maior", explica.
Se for comprovado que o incêndio começou em uma das chácaras da QI 17, a direção da reserva pretende entrar com ação na Delegacia do Meio Ambiente (Dema) sob a acusação de crime ambiental. "A população precisa ficar atenta quanto aos riscos de incêndio. Estamos entrando no período de seca e as pessoas insistem em acabar com o lixo resultante de podas com a utilização do fogo", alerta a diretora do Jardim Botânico.
Como evitar fogo nas matas
Não atire cigarros ou fósforos acesos às margens das rodovias
Não solte balões
Não acenda fogueiras. Se tiver que acender uma, escolha um local apropriado, sem vegetação, e apague-a totalmente depois
Evite qualquer tipo de queimada. Quando for necessária para fins agrícolas, consulte a Polícia Florestal e avise os vizinhos
Não faça queimadas próximas à rede elétrica
Nunca faça queimadas em dias quentes e de ventos fortes
Apague qualquer pequeno foco de incêndio próximo a florestas e pastagens, mesmo nas margens das rodovias
Se o incêndio tiver pequenas proporções, abafe-o com terra ou apague-o com água. Se for incêndio grande, acione o Corpo de Bombeiros imediatamente
Natureza destruída
As queimadas mudam a paisagem do Distrito Federal. Em julho, agosto e setembro do ano passado, meses em que uma ponta de cigarro jogada na grama pode causar danos irreparáveis,a seca não deu trégua. A umidade relativa do ar chegou a índices preocupantes, abaixo dos 20%. Dos primeiros dias de julhoaté o fim de setembro, os bombeiros controlaram 2.055 queimadas.
O fogo tomou conta dereservas ambientais,ameaçando a fauna e flora. A maior queimada aconteceu em agosto, na Chapada Imperial, em Brazlândia. Durante dois dias, o fogo consumiu metade dos 4,8 mil hectares da reserva ecológica, a maior do DF. Dias depois, as queimadas destruíram o equivalente a um campo de futebol na área do Parque Nacional,a Água Mineral.
O fogo do Parque Nacional foi apagado por funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama),que se desdobraram para que os estragos não fossem maiores. No auge da seca no cerrado, o Corpo de Bombeiros registrou mais de 30 ocorrências de incêndios.
Em setembro, foi a vez do Parque do Guará, atrás do Setor de Oficinas Sul, ser consumido pelo fogo.Cerca de dez hectares foram queimados, o equivalente a dez campos de futebol. Também em setembro, houve incêndio na Área de Proteção Ambiental do Planalto, em Taguatinga Norte, com destruição de cem hectares. Em 2004,houve 2.018 incêndios no DF. Em 2003, 1.253.
CB, 23/05/2005, Cidades, p. 17
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