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Incêndio contamina água do mar e pode ter matado peixes

OESP, Metrópole, p. A12
06 de Abr de 2015

Incêndio contamina água do mar e pode ter matado peixes
Relatório da Ultracargo aponta ainda alteração na qualidade do ar; desde quinta-feira, fogo atinge tonéis de combustível em Santos

Luiz Alexandre Souza Ventura
ESPECIAL PARA O ESTADO / SANTOS

O incêndio que começou na quinta-feira no pátio da Ultra-cargo, em Santos, provocou a contaminação da água do canal do estuário e pode ser a causa da morte de milhares peixes. É o que indica relatório preliminar da empresa enviado à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e divulgado na noite de ontem. O documento também aponta alteração na qualidade do ar. Hoje, equipamento do Exército deve monitorar o ar na região.
Segundo o gerente da Agência Ambiental da Cetesb em Santos, Cesar Eduardo Pado-van Valente, "a água usada para conter as chamas foi despejada no estuário pelo sistema de escoamento da Ultracargo contaminada com combustível, provocando alteração da temperatura e saturação do oxigênio, provavelmente causando a morte dos peixes". Entre os animais mortos estão bagres, garoupas e espécies com até 70 centímetros de comprimento. Uma empresa recolhe os peixes mortos.
Ainda ontem, dos seis tonéis que armazenam combustíveis atingidos pelo fogo, dois permaneciam em chamas. "Na página da Cetesb na internet, a qualidade do ar na região do incêndio está classificada como N3-Ruim", diz 0 meteorologista Ivan Gregório Hetem. Segundo ele, a fumaça é mais preocupante do que uma possível chuva ácida. "A fumaça que está sendo inalada na área do incêndio tem concentrações de SO2 (dióxido de enxofre) muito acima das recomendadas pela Organização Mundial de Saúde. O limite é 40 e o verificado lá é maior do que cem. A melhor providência é se afastar do local."
O dióxido de enxofre - mesmo gás expelido por veículos - é formado a partir da queima da gasolina. Ao reagir com a umidade do ar, ele se transforma em ácido sulfúrico.
A secretária estadual do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias, esteve no local anteontem e falou sobre possíveis penalidades à Ultracargo. "Existe uma legislação estadual. E também é possível aplicar o Decreto Federal n.o 6.514. A multa chegaria a R$ 50 milhões, mas aplicação depende de análise mais detalhada."

Medo. O temor dos moradores é fortalecido por especulações, principalmente nas redes sociais. Em nota, a prefeitura de Santos informou que o secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, determinou uma investigação "para apurar a autoria de diversos boatos criminosos". Os responsáveis pelas mensagens falsas "serão responsabilizados criminalmente", segundo a prefeitura.
O maior receio da população é sobre uma possível chuva ácida. "Ela faz mal à saúde. Por isso, deve-se evitar a exposição. Em uma chuva forte, a nuvem carregada vem de outro lugar e desaba. Como as gotas são grandes, dão uma espécie de 'abraço' no ácido, que é diluído e empurrado para o solo. E o ar fica limpo", diz Hetem. Segundo o meteorologista, porém, a concentração de ácido é maior em uma chuva fraca.
Em Santos, por enquanto, está descartada a possibilidade de retirada dos moradores das imediações do terminal da Ultracargo. "Os produtos químicos que poderiam causar dano à população já foram retirados dos tanques próximos do incêndio", diz o coordenador da Defesa Civil estadual e chefe da Casa Militar do Estado, José Roberto Rodrigues Oliveira. "Todos os órgãos envolvidos estavam totalmente preparados, caso houvesse risco de vazamento de fumaça tóxica na atmosfera, para remover aproximadamente 400 pessoas da Alemoa."

OESP, 06/04/2015, Metrópole, p. A12

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