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Imprensa européia ataca o etanol

CB, Economia, p. 22
07 de Jul de 2007

Imprensa européia ataca o etanol
Matérias publicadas em jornais espanhol e italiano criticam a produção do álcool combustível.
El Mundo afirma que a Europa não quer produto "sujo" brasileiro, referindo-se ao sistema de queima

Da redação

Mal o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua passagem pela Europa defendendo os biocombustíveis, na quinta-feira, e a imprensa européia atacou o álcool brasileiro. O jornal El Mundo trouxe ontem matéria afirmando que a União Européia não quer o "etanol sujo" do Brasil. Foi uma referência à desconfiança do bloco que agrega 27 países das práticas de cultivo de cana-de-açúcar, vistas por líderes europeus como potencialmente danosas ao meio ambiente, segundo informações do site da BBC Brasil.
Lula participou esta semana da conferência internacional sobre biocombustíveis, realizada em Bruxelas, e afirmou aos dirigentes europeus que o Brasil inspecionará seu etanol de exportação para certificar que o produto respeita critérios ambientais, sociais e trabalhistas.
"O presidente Lula falava ontem (quinta) em tom idealista sobre 'o cuidado com o planeta Terra'. Mas os europeus não esquecem a queima maciça dos campos no processo de produção do etanol, e a tentação de estender ao Amazonas os cultivos de açúcar para obtê-lo", afirmou o jornal no artigo.
"Bruxelas advertiu o país amazônico que não importará seu biocombustível se for produzido de forma insustentável", continua a reportagem.
A repercussão negativa da passagem de Lula estendeu-se ainda à imprensa italiana. La Repubblica recordou a recente libertação de 1.106 trabalhadores forçados de uma fazenda de cana-de-açúcar no Pará. Segundo o jornal, Lula - descrito como o líder "que faz o papel de apóstolo dos biocombustíveis" - "não disse (em Bruxelas) que as duas notícias estão interligadas". "A operação de maquiar as condições de trabalho nas plantações de cana-de-açúcar indica que o presidente precisa enfrentar as críticas contra a solução do etanol, que se tornou o próximo grande negócio da economia brasileira", afirmou o jornal.
O La Repubblica reconhece que o combate ao trabalho forçado no Brasil aumentou nos últimos anos, mas ressalva que o "espetacular aumento da produção de cana-de-açúcar" levanta preocupações em relação ao tema.
"Nas plantações de etanol, milhares de camponeses emigrados do Nordeste vivem da miserável paga de um euro por tonelada de cana, sujeitos aos abusos dos patrões e da precariedade", disse.
Meio ambiente
A imprensa britânica tratou da produção brasileira de álcool combustível, tendo como alvo as questões ambientais. O Financial Times centrou sua matéria nas conseqüências do cultivo de etanol, e abriu espaço para os argumentos do governo brasileiro, o diário econômico disse que as novas áreas de plantação de cana-de-açúcar seriam abertas em locais planos, nos quais a automação eliminaria a necessidade da queima da lavoura.
"A cana também não seria cultivada na Amazônia por razões climáticas, embora críticos digam que as plantações podem substituis culturas como a soja, que penetrariam na floresta amazônica", afirmou. Segundo o jornal, usineiros brasileiros disseram que "os principais obstáculos ao crescimento das exportações de etanol não são ambientais, mas a carência de infra-estrutura de transporte e, principalmente, tarifas e subsídios adotados nos mercados desenvolvidos".
A conferência mundial sobre biocombustíveis foi encerrada ontem com a promessa de estimular os países em desenvolvimento com o a aproveitar a onda dos biocombustíveis para crescer. Ainda parece longe o estabelecimento de uma política de abertura de mercado pelos países europeus para produtores de etanol do terceiro mundo.
Mas a sinalização dos líderes reflete o interesse em estimular a aproximação comercial com os países mais pobre, o que não incluirá, necessariamente, o Brasil.
Parou de cair
Para o consumidor brasileiro de álcool, uma má notícia: após 10 semanas em queda, o preço médio combustível voltou a apresentar uma pequena alta, de 0,27%, nas usinas paulistas. De acordo com o levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o preço do anidro subiu deR$ 0,66221 para R$ 0,66397 o litro. Já o litro do hidratado variou de R$ 0 57646 para R$ 0,57801.
O aumento coincide com a elevação de 23% para 25% no percentual de mistura do anidro à gasolina, o que cria uma demanda extra de aproximadamente 400 milhões de litros por ano do combustível. Mesmo com a elevação nos preços, os valores absolutos do anidro e do hidratado ainda são os menores desde a semana encerrada em 10 de junho de 2005. Na época, o anidro custava, em média, R$ 0 65685 o litro e o hidratado valia R$ 0,57521 o litro nas usinas paulistas.

CB, 07/07/2007, Economia, p. 22

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