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Ilha Grande sofre sem saneamento

JB, Cidade, p.A14
21 de Fev de 2005

Ilha Grande sofre sem saneamento
Estação de esgoto é insuficiente

Paraíso que já serviu de entreposto de escravos entre o Rio e Buenos Aires, local de presídio e ponto de inspeção de estrangeiros, a Ilha Grande vive hoje sob a ameaça de problemas ambientais. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado em 2002 ainda não mostrou os efeitos esperados, em função de Prefeitura de Angra e Ministério do Meio Ambiente não terem entrado em acordo, conforme publicou ontem o Jornal do Brasil.
Um dos pontos mais criticados por ambientalistas é a Estação de Tratamento de Esgotos da Vila do Abraão. De acordo com o Mapa dos Conflitos Ambientais, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ (Ippur), já em 2000 moradores da ilha encaminharam ao Ministério Público Federal um manifesto com mais de 5 mil assinaturas. A estação, feita para atender a uma população de 2.500 pessoas, não daria vazão nos dias de pico, quando o movimento de turistas chega a mais de 20 mil pessoas.

- A estação é subdimensionada, a Vila do Abraão recebe no mínimo 10 mil pessoas nos feriados - diz Alexandre Guilherme de Oliveira e Silva, presidente do Comitê de Defesa da Ilha Grande (Codig).

Para Alexandre, o projeto desenvolvido pelo economista Carlos Lessa à frente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dava melhores perspectivas ao saneamento básico da Ilha Grande.

- O projeto falava em uso popular, mas nunca em uso desordenado da Ilha Grande - lamenta Alexandre.

De acordo com o ex-presidente do BNDES, a Vila do Abraão, principal porta de entrada da ilha, era uma das prioridades do projeto.

- Além de promover coleta de lixo, sistema de esgoto, criaríamos projetos culturais para a Vila do Abraão. Com esse projeto, a Ilha Grande não ia virar Angra dos Reis - critica Carlos Lessa.

O ex-presidente do banco critica a Prefeitura de Angra, que segundo ele não abraçou a proposta do BNDES.

- Alguns distritos acolhem a classe média e a classe média baixa, isso é o que ocorre em Ilha Grande. A prefeitura quer fazer da Ilha um grande resort, quer o oposto do projeto do BNDES. O projeto percebe que o povão do Rio é maravilhoso e merece ser bem tratado - afirma Lessa.

O prefeito de Angra, Fernando Jordão (PSB) disse ao Jornal do Brasil que a prefeitura desenvolveu projetos de saneamento básico, mas a verba do governo federal prevista no TAC não veio.

JB, 21/02/2005, Cidade, p.A14

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