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Igualdade na sala de aula

Gazeta do Povo-Curitiba-PR
Autor: ANDREA GONÇALVES SANTOS
18 de Jan de 2002

Universidades estaduais criam vagas especiais para índios

Os índios representam apenas 0,2% da população brasileira. Dos 358 mil espalhados pelo país, 9.394 vivem no Paraná. O número é pequeno, mas no momento essa minoria tem motivos de sobra para comemorar. No início deste ano foi regulamentado um decreto criado em abril de 2001, que obriga cada uma das cinco universidades estaduais a reservarem três vagas para os índios. Parece pouco, mas pode ser só o começo...

O primeiro Vestibular Intercultural dos Povos INDÍGENAS do Paraná será realizado nos dias 4, 5 e 6 de fevereiro, no campus da Unicentro, em Guarapuava. As inscrições, no entanto, podem ser feitas em qualquer uma das universidades estaduais até segunda-feira. Os índios devem escolher um dos cursos ofertados pela instituição, mas precisam apresentar uma declaração do cacique, para provar que vivem no Paraná há pelo menos dois anos. "Esperamos cerca de 80 índios para o primeiro concurso. Por isso a divulgação está sendo feita principalmente nas aldeias", diz o presidente da comissão interinstitucional, professor Ronaldo Jorgensen.

Mas não são só as datas dos concursos que são especiais. As provas dos índios são diferentes das tradicionais. No primeiro dia de vestibular eles terão um teste oral, no qual farão a leitura de um texto e voz alta e em seguida terão que discutir o tema. No segundo, vão encarar Redação, Língua Estrangeira e Matemática. Para finalizar, terão Biologia, Química, História e Geografia. "Resolvemos fazer desta forma porque alguns antropólogos constataram que os índios têm mais dificuldade com a leitura, mas se expressam melhor oralmente", explica o professor Ronaldo.

Depois da aprovação

Apesar de os testes serem especiais, os índios precisam cumprir uma regra básica. "Assim como todos os outros estudantes eles precisam ter concluído o ensino médio", diz Ronaldo. O tratamento de igualdade continua depois do vestibular. Os índios terão que enfrentar turmas comuns e as mesmas aulas que os demais universitários. "Eles podem enfrentar algumas dificuldades no início, mas muitos estudam em escolas comuns e já estão acostumados. Além disso, já existem dois índios formados no estado e eles conseguiram vencer todos os obstáculos", defende.

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