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Igreja luta por demarcação

Correio do Povo-Curitiba-PR
14 de Fev de 2002

CNBB critica governo federal no lançamento da campanha

A Igreja Católica reforçará a luta pela demarcação de terras INDÍGENAS e a aprovação do Estatuto do Índio com a Campanha da Fraternidade deste ano. O secretário-executivo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno, disse ontem ao lançar a campanha que a Constituição de 1988 previa a regularização das terras dos índios em cinco anos. No entanto, mais de 60% das terras continuam sem ser demarcadas. "Temos uma dívida a resgatar com os índios", defendeu.

O secretário-executivo do Conselho Missionário Indigenista (CIMI), Egon Dionísio Heck, acusou o governo Fernando Henrique Cardoso de criar obstáculos às demarcações ao permitir que particulares contestassem áreas INDÍGENAS já identificadas. "O governo Fernando Henrique em nada conseguiu ser melhor que seus antecessores", conclui Heck..

Um trecho do texto-base da Campanha da Fraternidade cita que o decreto 1.775 assinado pelo presidente permite que as terras reservadas aos índios no governo Fernando Collor sejam reduzidas ou não-demarcadas. Longe da proteção do Estado, os índios estão por iniciativa própria tentando "retomar" suas terras. O documento da CNBB ressalta que a "posse indígena depende da expulsão do invasor", o que tem gerado muita violência. Dom Damasceno explica que o objetivo da campanha é trabalhar com os não-índios, porque o país ignora a existência de mais de 500 mil índios que falam 135 línguas diferentes.

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