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Igreja ameniza visita da cúpula da CNBB

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
27 de Fev de 2004

Líder da Igreja Católica em Roraima, o bispo Dom Apparecido José Dias disse que a notícia da vinda do cardeal Geraldo Majella e do bispo Dom Celso Queiroz, presidente e vice, respectivamente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) foi uma surpresa. Desde o início da madrugada de hoje eles estão em Boa Vista para prestar solidariedade à igreja no Estado, especialmente aos missionários agredidos durante a invasão da Missão Surumu.

"Que isso possa ter repercussão política é outro problema", declarou. Conforme Dom Apparecido, a presença dos dirigentes da CNBB não será para tratar de homologação ou demarcação de áreas indígenas. Além de hipotecar solidariedade, os dois bispos deverão falar sobre a presença de missionários em áreas indígenas. De acordo com o bispo roraimense, certas acusações feitas ao clero local não são verdadeiras e eles também pensam assim.

A presença de missionários em áreas indígenas - avalia o bispo - depende do tipo de atuação a ser desenvolvida. Disse que se esta atuação é no sentido de apoiar os indígenas para que eles próprios conduzam o processo, principalmente de autonomia e libertação. Avaliou que esta posição é benéfica e tem efeito contrário se for para manipular os indígenas, provocar reações - mesmo as de integração à sociedade envolvente.

"Os índios devem ter o seu projeto, desde que tenham as informações necessárias e apoio para defendê-los. Porque, sem apoio, eles não fariam nada. Se não fosse a presença dos missionários nas áreas indígenas aqui em Roraima, os indígenas daqui já estariam quase acabados", comentou.

Questionado sobre declarações de índios como Gilberto Macuxi e Silvestre Leocádio informando a atuação da Igreja Católica nas reservas, no sentido de promover o acirramento de ânimos, o bispo foi categórico. "Acho que eles estão enganados, porque a Igreja Católica trabalha na área indígena antes de certos grupos que hoje promovem estes enfrentamentos. A igreja tem uma linha de ação, em apoio aos indígenas que têm os seus projetos. Agora, se outros acham que deve haver o enfrentamento, nem por isso vamos parar o nosso trabalho ou aceitar a provocação".

O bispo católico acredita que a invasão da Missão Surumu tenha sido motivada na declaração do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, sobre a homologação, em janeiro, da área contínua Raposa/Serra do Sol. "No meu entender, foi uma provocação para que houvesse uma reação violenta para depois virar o caos. Porém, a provocação não teve resposta, nem da parte da igreja nem da parte dos índios favoráveis à homologação em área contínua e que são maioria naquela região".

Dom Apparecido disse que a Igreja Católica continuará atuando da forma como tem feito até hoje, apoiando os índios que defendem os direitos deles, baseados na Constituição - a homologação em área contínua. "Vamos continuar apoiando porque eu não acho razoável que um grupo abra mão de seus direitos e obrigue outro grupo a também abrir mão dos direitos garantidos na Constituição. Então, seguiremos o nosso trabalho enquanto tivermos forças para isso".

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