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17 de Fev de 2014
O despejo de esgoto no rio Branco não é novidade. A água escura, fedida e com dejetos escorre por várias tubulações e polui igarapés e córregos que deságuam no Branco, principal e único rio que abastece a Capital. E a poluição ambiental não é provocada apenas pelo cidadão menos instruído. Ela também acontece em bairros considerados de elite, onde os moradores apresentam um elevado grau de escolaridade.
É o caso do Canarinho, na zona Leste. Em meados de março do ano passado, a Folha denunciou o despejo de esgoto no igarapé Mirandinha. O crime ambiental ocorria nas proximidades da elevatória do bairro. No encontro do igarapé com o rio Branco foi possível verificar a água suja, de cor escura e com forte mau cheiro.
Em agosto de 2011, outro esgoto de Boa Vista estava sendo despejado no rio Branco. Na ocasião, a Caer dava previsão de um mês para que a Lagoa de Estabilização voltasse a operar no tratamento dos dejetos. A estação de tratamento de esgotos (ETE) da Capital passava por obras. Contudo, o problema já ocorria desde fevereiro. Todo o esgoto coletado em Boa Vista estava sendo jogado no principal rio do Estado. Mais de 550m³/h de dejetos eram despejados no rio Branco sem qualquer tratamento.
A Lagoa de Estabilização, como é mais conhecida, conseguia tratar cerca de 90% dos elementos patológicos da água (bactérias e vírus). Mas sem esse tratamento, as pessoas em contato com a água de esgoto ficaram sujeitas a doenças como hepatite A e C.
O lançamento do esgoto era feito no Distrito Industrial. E a preocupação maior era com os moradores do Jardim das Copaíbas, os oleiros da região, pescadores e ribeirinhos. Todos corriam risco iminente de contaminação.
No ano passado, a Folha também denunciou a poluição no igarapé Jararaca, que corta parte do bairro Mecejana, na zona Oeste. O crime ambiental podia ser visto a olhos nus. No leito, sacos, latas, roupas, além de animais mortos. Moradores sentiram os reflexos da poluição, com a proliferação de insetos e o mau cheiro.
O rio Cauamé, um dos afluentes do Branco, também já sofreu com a ação do homem. Em meados do ano passado, moradores da rua U, no bairro Cauamé, zona Oeste, denunciaram a obra inacabada de uma rede de esgoto, que despejava dejetos no rio Cauamé, que deságua no rio Branco.
A obra da rede de esgoto parou, segundo os moradores, assim que começou a chover na cidade, em junho do ano passado. Mas, mesmo inacabado, o esgoto, de água escura e com forte odor, estava sendo despejado no leito do rio.
À época, a Caer confirmou que a referida obra não havia sido concluída, por isso ainda não tinha sido repassada pela empresa. A Caer orientou a Folha a buscar informações com a Seinf (Secretaria de Estado de Infraestrutura). A Seinf informou que entraria em contato com a empresa. Em seguida, a Seinf jogou a culpa para os moradores, que teriam feito ligação clandestina. (A.J.)
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