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Autor: Herika Pacheco
14 de Jan de 2010
Herika Pacheco
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro
Idiomas indígenas estão ameaçados no mundo, segundo estudo inédito divulgado nesta quinta-feira (14) pela ONU (Organização das Nações Unidas) em nove países, entre eles, o Brasil.
A pesquisa foi lançada simultaneamente em Nova York, Bruxelas, Manila, Canberra, no México, em Moscou, Pretória, Bogotá e no Rio. A publicação, produzida pelo Secretariado do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas das Nações Unidas, mostra dados sobre pobreza, saúde, trabalho, direitos humanos e meio ambiente, entre outros temas.
Segundo o estudo, estima-se que existam atualmente 6.500 idiomas indígenas falados no mundo e que 90% deles vão desaparecer nos próximos 100 anos. A possibilidade de a tradição indígena ser extinta também foi diagnosticada nas comunidades brasileiras. Conforme o relatório, uma das causas é que a maioria dos índios não ensina sua língua para as futuras gerações.
"A linguagem é mais do que uma forma de se comunicar, ela está ligada à tradição, é parte da identidade dos índios, mas a maioria [das línguas e dialetos] é falada por pouquíssimas pessoas. Quase 97% da população indígena mundial falam 4% dos idiomas", afirma o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil, Giancarlo Summa, que divulgou o relatório na capital fluminense.
Dos 370 milhões de índios que vivem em 90 países, o Brasil contabiliza um milhão. Metade vive em aldeias, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Cento e oitenta idiomas indígenas são falados do país.
Devastação amazônica
Entre os problemas mais graves nas comunidades indígenas do Brasil, o estudo aponta a perda dos territórios e de recursos naturais, por fatores como a agropecuária na Amazônia.
"Do ponto de vista ambiental, se observamos o mapa da Amazônia, vamos perceber que tudo o que não pertence à área indígena está sendo devastado. As áreas dos índios são as únicas preservadas", diz o articulador dos direitos indígenas do Comitê Inter-Tribral - Memória e Ciência Indígena e membro da Cátedra Indígena Itinerante, Marcos Terena, que participou da apresentação do estudo.
Segundo Terena, a pecuária e a monocultura no Brasil "são o pivô dos protestos contra a demarcação dos territórios indígenas". "No Mato Grosso, onde está a segunda maior população indígena do país, 70 mil pessoas, a devastação e a violência são comuns. É preciso que haja uma espécie de reforma agrária para os índios", defende.
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