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Idioma indígena em debate

Ciência Hoje n. 308 out. 2013, p. 54-55
31 de out de 2013

Idioma indígena em debate
Pesquisadores lançam novas luzes sobre o entendimento da língua Pirahã

Niupai ti igato huakue kopae." Na língua indígena pirahã, esta frase significa "cachorro eu rabo longo preto". Ou, na ordem mais natural para o português, "o rabo longo do meu cachorro preto". Para o linguista estadunidense Daniel Everett, esse idioma é de especial interesse. Ele conviveu com pirahãs, na Amazônia, e propôs uma teoria segundo a qual a língua dessa etnia teria uma notável peculiaridade: ao contrário de todas as demais línguas humanas, ela não teria o que os linguistas chamam de recursividade. Breve introdução à linguística; recursividade é a ideia que preconiza a organização das línguas em, digamos, sentenças dentro de sentenças. "Galileu disse que o padre disse que a Terra não era redonda": é um exemplo do conceito, que foi tema de evento internacional organizado em agosto último na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
"A recursividade na língua pirahã é, atualmente, uma questão de discórdia entre estudiosos do mundo inteiro" , diz a linguista Cílene Rodrigues, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A tese de Everett tem sido debatida à exaustão. E temos novidades na área. Rodrigues, em parceria com Andrew Nevins, da Universidade College London, e David Pesetsky, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, vasculhou tudo o que Everett já publicou sobre a língua pirahã - e chegou a uma inesperada conclusão: "Encontramos evidências de que essa língua é, sim, recursiva", diz a pesquisadora da PUC-Rio.
A novidade deu o que falar. Everett e seus seguidores refutaram a interpretação - acusando os três pesquisadores de 'cientistas de escritório', incapazes de ir a campo coletar dados próprios. Mas a história não para por aí.

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Ciência Hoje n. 308 out. 2013, p. 54-55

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