VOLTAR

ICMBio garante equipamentos, aviões e brigadistas para combater incêndios na temporada de seca

ICMBio - www.icmbio.gov.br
Autor: Sandra Tavares
02 de Jul de 2009

Com o início da temporada de seca em boa parte do País, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) se prepara para combater os incêndios florestais que, normalmente, ocorrem no período mais críticos, que vai de julho a outubro nas regiões Centro-Oeste e Sudeste e setembro a outubro nas regiões Norte e Nordeste.

De abril a maio foram formados 1,2 mil brigadistas, dos quais 508 já foram contratados desde 1o de junho para atuar em 37 Unidades de Conservação. O número de brigadistas por Unidade de Conservação (UC) varia de 7 a 42, levando-se em consideração o tamanho da reserva, a vulnerabilidade, o histórico de incêndios e a capacidade administrativa da unidade em gerenciar a brigada, entre outros.

O conjunto de ações tomadas pelo Instituto Chico Mendes, por meio da Coordenação Geral de Proteção (CGPRO) visa a fortalecer e dar maior autonomia às UCs para o combate aos incêndios. Os cursos de formação, por exemplo, que capacitaram os 1,2 mil brigadistas foram ministrados em sua grande maioria pelos 27 instrutores do ICMBio.

MAIS BRIGADISTAS - A expectativa é de que até o final de 2009 sejam formados mais de 3 mil brigadistas e destes contratados 1.407 para as ações de combate em 86 Unidades de Conservação consideradas prioritárias. O chefe da UC que possui brigada contará com crédito no cartão corporativo, aprovado para atender as emergências relacionadas ao combate.

O Instituto já finalizou a licitação dos uniformes e equipamentos de proteção individual. A licitação para aquisição dos equipamentos de combate como bombas costais, moto bombas e mangueiras, encontra-se na fase de análise de amostras. Já o contrato nacional para fornecimento de alimentação que prevê apoio aos brigadistas em campo está sendo concluído. Aeronaves modelo Air Tractor foram contratadas e permanecerão em duas bases de apoio do ICMBio - sendo dois aviões na base de Cuiabá MT) e mais dois na base de Lençóis (BA).

Acordos de cooperação estão sendo formalizados com órgãos estaduais que darão apoio tanto de pessoal quanto de materiais necessários ao combate de incêndios localmente. Um desses parceiros locais é o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF-MG), cujo acordo já está assinado.

"Cumprimos uma importante fase de nosso planejamento que era a contratação a partir de 1o de junho dos brigadistas para as 37 unidades previstas. Não só conseguimos, como inovamos na forma de contratação, que foi rápida", afirma o coordenador de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais e Emergências Ambientais do ICMBio, Alexandre Figueiredo de Lemos.

O processo de seleção, feito pelas chefias das UCs, foi feito via sistema interno de rede. A Coordenação Geral de Gestão de Pessoas do ICMBio recebeu as fichas dos brigadistas selecionados pelas chefias e incluiu em folha. Com isso as unidades puderam emitir automaticamente os certificados e contratos dos brigadistas, prontos para a assinatura.

Antes o chefe da unidade, após selecionar os brigadistas, separava toda a documentação exigida, enviava para Brasília e a contratação era feita pela sede. "Hoje todo este processo é realizado via intranet, preenchendo todas as exigências legais online, gerando automaticamente o certificado do brigadista e o contrato. Graças a um trabalho integrado entre as áreas de proteção, recursos humanos e tecnologia da informação do Instituto", destaca Lemos.

RONDAS - Os 35 brigadistas contratados para atuar no Parque Nacional da Serra do Cipó/MG, por exemplo, já estão efetuando rondas de monitoramento nas áreas consideradas críticas. De um ponto que fica no mirante do parque - apelidado de Piutch - eles avistam grande parte da unidade, o que possibilita localizar rapidamente os focos de incêndio.

Para o analista ambiental do parque e instrutor dos cursos de formação em brigadistas, Edward Elias Júnior, apagar incêndios florestais é uma das atividades mais desgastantes sob os aspectos físico e emocional, mas que não desanima quem se envolve.

"Enfrentamos um calor infernal, respiramos fumaça e ainda temos que estar atentos para não colocar a nossa vida em risco. Ficamos dias contendo o fogo em condições não muito favoráveis. Mas se me perguntarem se eu gostaria de trabalhar apenas com isso, não tenho dúvidas de que sim. É uma missão conter o fogo" destaca Edward, que foi capacitado em 2006 e já passou sua experiência em mais de 20 cursos ministrados, participando da primeira formação do ICMBio.

Segundo ele o desafio é trabalhar para que não haja incêndios de forma alguma. "Qual o preço da perda de espécies de flora e fauna, após um incêndio catastrófico? No último incêndio tivemos espécies raras de orquídeas e de canela-de-ema (Vellozia squamata) devastados. Se o valor é incalculável, então tem que se investir em conscientização, treinamento da brigada e na prevenção, pois sabemos que a maioria dos incêndios são provocados pela ação humana e começam com um fósforo ou isqueiro", explica o instrutor.

Em reunião feita pela CGPRO no início deste ano, com gestores das unidades mais suscetíveis a incêndios, foi colocada a necessidade de se rever o modelo de contratação dos brigadistas, que hoje é temporária, para permanente, adotando um nos mesmos moldes dos contratos existentes hoje para vigilância das unidades. O objetivo é que se tenha brigada ao longo de todo o ano, e não apenas nos meses de seca.

"O ideal é que a UC possa contar com um número de brigadistas o ano todo, e quando o período de seca se aproximar, possa contratar mais alguns em caráter temporário. Com isso se desenvolve um trabalho cada vez mais efetivo de educação ambiental,mostrando alternativas de substituição do uso do fogo, como se fazer uso controlado, aceiros, tudo aliado às tecnologias disponíveis" destaca Elias.

Confira a lista das UCs que tiveram brigadistas contratados:

- Rebio Córrego Grande
- Esec Serra Geral de Tocantins
- Flona Brasília
- Flona Capão Bonito
- Flona Goyatacazes
- Flona Ipanema
- Flona Passa Quatro
- Mico Leão Preto
- Parna Aparados da Serra
- Parna Brasília
- Parna Caparaó
- Parna Cavernas do Peruaçu
- Parna Chapada dos Guimarães
- Parna Chapada dos Veadeiros
- Parna das Emas
- Parna Grande Sertão Veredas
- Parna Itatiaia
- Parna Pacaás Novos
- Parna Restinga de Jurubatiba
- Parna Sempre Vivas
- Parna Serra da Bocaína
- Parna Serra da Canastra
- Parna Serra do Cipó
- Parna Serra dos Órgãos
- Parna Serra Geral
- Parna Tijuca
- Rebio Augusto Ruschi
- Rebio Comboios
- Rebio Contagem
- Rebio Córrego do Veado
- Rebio Poço das Antas
- Rebio Soretama
- Rebio Tinguá
- Rebio União

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.