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Autor: Adriele Lima
23 de Abr de 2026
A previsão de um possível "super El Niño" nos próximos meses tem mobilizado órgãos ambientais a intensificar ações de prevenção a incêndios em Roraima. Em terras indígenas do Norte do estado, oficinas de educação ambiental têm sido realizadas como estratégia para orientar comunidades sobre os riscos do período de estiagem e calor extremo.
A iniciativa é conduzida pelo Ibama em parceria com o Prevfogo, Funai e Embrapa. As atividades ocorreram na Terra Indígena Santa Inês, onde vivem comunidades da etnia Macuxi. A região, com cerca de 30 mil hectares, reúne as comunidades Leão de Ouro e Santa Inês.
De acordo com projeções meteorológicas, o fenômeno climático pode provocar aumento significativo das temperaturas e redução das chuvas na região Norte, elevando o risco de queimadas. Diante desse cenário, as oficinas abordam o manejo integrado do fogo, prática que busca conciliar o uso tradicional com técnicas de prevenção a incêndios florestais.
O uso do fogo faz parte da cultura agrícola indígena, especialmente no preparo das roças. No entanto, episódios recentes de incêndios causaram prejuízos às comunidades. O indígena Carlos Santana Macuxi relatou que as queimadas destruíram plantações, afetaram a fauna e comprometeram a subsistência das famílias. "As nossas roças foram destruídas, os animais morreram queimados, acabou a nossa caça e foi preciso ajuda dos órgãos públicos para fornecer cesta básica para as nossas famílias", declarou o indígena da comunidade Santa Inês.
Além do manejo do fogo, as oficinas também tratam da destinação de resíduos sólidos. A queima de lixo, segundo os técnicos, contribui para a emissão de gases de efeito estufa e pode iniciar focos de incêndio. "Essa oficina foi muito boa para diminuir o volume de lixo na nossa comunidade. Se todos fizerem a sua parte, não precisaremos descartar o que pode ser útil pra gente", afirmou Gislayne Gino Macuxi.
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Outro tema discutido foi a chamada queima prescrita, técnica planejada para reduzir a vegetação seca e evitar incêndios de grandes proporções. "O Prevfogo tem um calendário de queima prescrita e de queima controlada que serve de parâmetro para o período correto de usar o fogo, e ainda temos as brigadas de combate à incêndios que ajudam nesse trabalho", destacou Fernando Mota, da Unidade Técnica do Lavrado.
A programação também incluiu propostas voltadas à segurança alimentar. A Embrapa apresentou um sistema integrado de produção que combina cultivo de hortaliças, criação de peixes e pequenos animais em áreas reduzidas, como alternativa para períodos de estiagem prolongada.
As atividades envolveram palestras, dinâmicas e participação das lideranças locais. Segundo o Ibama, a continuidade das ações educativas é considerada essencial para fortalecer a adaptação das comunidades às mudanças climáticas e reduzir os impactos ambientais em áreas de alta biodiversidade.
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