GM, Nacional, p.A5
20 de Dez de 2004
Ibama lança atlas dos recifes de coral no Brasil
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) acaba de lançar o "Atlas dos Recifes de Coral nas Unidades de Conservação Brasileiras", a primeira publicação nacional a oferecer aos leitores mapas do ambiente recifal do País. O Atlas, que contou com a colaboração de 11 autores e apresenta 39 mapas das nove áreas de conservação envolvidas, é resultado de três anos de trabalho. Para a sua elaboração, o Ibama contou com o apoio de várias instituições, entre elas o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Convenção de Ramsar e a Wetlands for the Future. Apoiou-se também no Projeto Recifes Costeiros, para mapear os recifes existentes dentro das unidades de conservação.
Os recifes de coral constituem-se em importantes ecossistemas, altamente diversificados. Por abrigarem uma grande variedade de plantas e animais, são considerados como o mais diverso habitat marinho. Sua importância econômica vem do fato de representarem indiretamente a fonte de alimento e renda para muitas comunidades. Os recifes estão para o ambiente marinho como as florestas tropicais estão para os ambientes terrestres - são os maiores centros de biodiversidade.
Apesar de sua importância, os ambientes recifais têm sofrido rápido processo de degradação. Cerca de 27% dos recifes de coral estão definitivamente perdidos, segundo avaliação da rede mundial de monitoramento Global Coral Reef Monitoring Network (GCRMN). Em razão da riqueza biológica dos recifes de coral, essas perdas afetam de modo severo muitas outras espécies.
A degradação dos recifes de coral está ligada às atividades humanas e econômicas. Poluição de nutrientes e sedimentos, extração de petróleo, mineração de areia e rocha e o uso de explosivos e cianeto (ou outras substâncias tóxicas) na pesca estressam os recifes mundiais.
A perda de corais compromete as perspectivas de vida melhor para as populações costeiras. Quase meio bilhão de pessoas vive num raio de 100 quilômetros de um recife de coral, e muitos dependem deles para alimentação e emprego. Só no Brasil, 18 milhões de pessoas dependem direta ou indiretamente desses ambientes. Cerca de um quarto do pescado nos países em desenvolvimento, dentre eles o Brasil, vem de áreas de coral que proporcionam alimentos para um bilhão de pessoas, só na Ásia. Os recifes protegem as praias da erosão e ajudam a produzir as areias finas que as tornam atraentes para o turismo, fonte principal de receita de muitos países tropicais. Em geral, os bens e serviços gerados pelos recifes foram avaliados, em 1997, em US$ 375 bilhões anuais.
Sem uma ação "gerencial urgente" para conter o dano, a GCRMN calcula que a parcela de recifes perdida atingirá 40% até 2010. Alguns deles têm uma chance "razoável" de serem recuperados, mas só se não estiverem sujeitos a novo estresse.
No Brasil, os recifes distribuem-se por três mil quilômetros de costa, do Maranhão ao sul da Bahia, representando as únicas formações recifais do Atlântico Sul.
Nessa área existem nove unidades de conservação que protegem uma parcela significativa desses ambientes. Preocupada com o atual quadro de degradação pela qual vêm passando os recifes brasileiros, o Ibama vem realizado, desde 1999, várias iniciativas no intuito de se estabelecer uma rede de proteção nos recife de coral.
GM, 20/12/2004, p. A5
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