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Ibama flagra no PA desmatamento igual a 2 mil campos de futebol

OESP, Geral, p.A12
24 de Set de 2004

Ibama flagra no PA desmatamento igual a 2 mil campos de futebol
Levantamento foi feito em Tucumã; multas aplicadas chegam a R$ 2,2 milhões
Carlos Mendes
Especial para o Estado
BELÉM - O desmatamento e a extração ilegal de madeira no sul do Pará continuam acelerados. Entre o final de agosto e a segunda semana de setembro, balanço feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) revela que uma área superior a 2 mil campos de futebol em Tucumã foi completamente devastada por grupos madeireiros da região, que retiraram espécies nobres como cedro, virola e mogno para comercialização clandestina.
Esta é a segunda vez em menos de 40 dias que os fiscais localizam grandes áreas devastadas no Estado do Pará. Em agosto, um desmatamento equivalente a mil campos de futebol foi descoberto em São Félix do Xingu, município vizinho de Tucumã.
O Ibama lavrou 31 autos de infração, totalizando R$ 2,2 milhões em multas, apreendeu dez caminhões carregados com madeira, seis motosserras, duas espingardas e até um avião usado pelos madeireiros para espalhar sementes em áreas desmatadas e camuflar os crimes ambientais. "Os fiscais também apreenderam 220 metros cúbicos de madeira serrada, 210 metros cúbicos de madeira em toras, 2,09 toneladas de sementes de capim e 800 litros de combustível usados em queimadas para formação de pasto.
A operação, que conta com o apoio da Polícia Militar do Pará, faz parte do Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento na Amazônia Legal, que envolve 14 ministérios e recursos de R$ 300 milhões.
O analista ambiental Norberto Neves disse que o avião Cessna apreendido era pilotado por Abenar Teixeira Outeiro, da empresa maranhense Globo Viação Agrícola. O avião foi flagrado quando lançava 2,09 toneladas de sementes de capim na Fazenda Maria, região que fica no entorno da Flona Itacaiúnas, em Marabá, sem autorização expedida pelo Ibama.
O proprietário da aeronave, Adilson Luís Orio, foi multado em R$ 205 mil por queimar e desmatar 150 hectares de área embargada pelo instituto.
"Há pelo menos outros cinco aviões, todos procedentes do Maranhão, fazendo a mesma coisa em áreas desmatadas na região", contou Neves.

OESP, 24/09/2004, p. A9

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