O Liberal-Belém-PA
04 de Dez de 2003
O Movimento dos Colonizadores da Transamazônia (MCT) - entidade criada há cerca de um mês e que reúne representantes de empresas madeireiras e de trabalhadores do setor - vai receber hoje do gerente regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Márcílio Monteiro, um documento com a metodologia que será usada para avaliar os 44 planos de manejo que, de acordo com o MCT, estariam "emperrados no órgão". Monteiro adiantou que serão destinados funcionários do órgão exclusivamente para o trabalho e que toda a metodologia de análise será passada aos empresários. Disse contudo, que não abrirá mão de avaliar "caso a caso". A liberação dos 44 planos de manejo foi a principal reivindicação do MCT em documento entregue ao Ibama na terça-feira, 2.
Outra reivindicação era a garantia de que as serrarias poderiam manter estoque suficente para o período de chuvas que começa agora em dezembro. Nesse caso, contudo, a resposta do Ibama deverá desagradar os representantes do MCT. Marcílio Monteiro disse ontem a noite que essa questão só será definida após um relatório sócio-economômico da região, que será feito com informações fornecidas pelos próprios madeireiros, pela Secretaria da Fazenda, Receita Federal e Ministério do Trabalho.
Diante do possível impasse, patrões e empregados do setor madeireiro já se preparam para mais manifestações na região. Hoje, por exemplo, haverá passeatas em Altamira. As previsões dos empresários e trabalhadores, em caso de resposta negativa são dramáticas. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Madeireiras, Maria da Guia Serafim, afirma que as demissões podem atingir 80% dos cerca de 13 mil trabalhadores do setor. Embora admita que muitos empregados de serrarias trabalham na informalidade, ela garante que nas empresas onde os empregados têm carteira assinada haverá dificuldades para pagar os salários de novembro, o décimo-terceiro e, principalmente, as recisões contratuais.
O Movimento dos Colonizadores da Transamzônica reúne patrões e empregados de 196 empresas dos municípios de Placas, Uruará, Medicilândia, Brasil Novo, Altamira, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Anapu, Pacajás e Porto de Moz, todos às margens da Transamazônica. Os líderes do Movimento dizem que trabalham com extração de madeira na área há mais de 30 anos e acusam o Ibama de estar "inviabilizando" a atividade, que responderia por 50% da economia dos dez municípios. "Nós estamos sendo considerados como criminosos, bandidos...", diz um dos líderes do Movimento, que prefere não ter o nome divulgado. De acordo com ele, o movimento foi criado para "chamar a atenção" para a situação de penúria em que se encontrariam os empresários do setor na região. "Há problemas no setor. Isso ninguém esconde, mas muitos foram empurrados para a ilegalidade. O Ibama hoje não aprova plano de manejo sem documentação do Incra e Iterpa e quando a gente apresenta a documentação eles (do Ibama) não aceitam", diz o presidente do MCT, Maurício Lorenzoni. Os madeireiros pedem o prazo de um ano para cumprir todas as exigências legais em relação aos títulos de terra, aos planos de manejo e às relações de trabalho. "Todo o setor já tomou consciência de que precisa usar a floresta de forma sustentável, mas da forma como o Ibama está agindo, ele está cerceando nossa atividade", reclamou outro integrante do MCT.
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